O desejo é uma forte emoção que está presente quando termina um ano e começa o outro. Nossos desejos que, podem ser vários, nos impulsionam para mudanças, quando conseguimos realizá-los. Desde os desejos materiais e concretos, como comprar um imóvel, trocar de carro, tirar do guarda-roupa o que não lhe cabe mais, até aqueles mais profundos que tem a ver com nossas emoções e questões internas.
Desejo é a vontade intensa ou anseio por algo que se quer ter, alcançar ou experimentar, indo além das necessidades básicas e envolvendo aspirações emocionais, intelectuais e físicas, sendo uma força motriz complexa da experiência humana que nos move e busca satisfação em um vazio ou falta fundamental, segundo a filosofia e psicanálise.
A Agência Aids conversou com ativistas e profissionais que trabalham no enfrentamento do HIV para saber quais são os principais desafios e desejos para este ano. Confira:
Alessandra Nilo, jornalista e co – fundadora da Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero

“Meu principal desafio é construir estratégias mais efetivas para resistir ao avanço de grupos fascistas e anti-direitos que ocupam hoje espaços de decisão (nacionais e internacionais) muito estratégicos, controlando cada vez mais fatias de orçamentos públicos que deveriam beneficiar as pessoas que mais precisam delas”.
“No Brasil, um desafio particular são as eleições 2026, porque estamos muito carentes de parlamentos minimamente confiáveis. Vivemos uma guerra de imoralidades e assaltos aos cofres públicos por poderes da República que deveriam protegê-los e isso faz muitas pessoas desacreditarem da política, o que só ajuda a ultra direita”.
“Nesse contexto, a Conferência Internacional de AIDS no Rio de Janeiro, em julho, pode ser uma oportunidade para promover o SUS, mostrar resultados de políticas de AIDS baseadas em evidências e direitos acessíveis e universais, ressaltando a igualdade de gênero e de raça como pilares estruturantes para o país e, com dados, como a justiça social e climática são determinantes para a saúde; e que precisamos de uma economia que sirva aos nossos direitos, não à ganância de poucos. É um grande desafio, nesse momento tão conturbado para a humanidade, manter os esforços já feitos e o progresso alcançado, e seguir diminuindo as mortes decorrentes da AIDS e a expansão do HIV”.
Regiane Garcia, psicóloga e sexóloga

“Acho que o meu grande desafio é continuar na persistência, na perseverança e na esperança. Mas, como fiz Mário Sérgio Cortella, não é esperança de esperar e sim de esperançar. Acreditar, mas agir. Continuar na minha batalha em prol do desenvolvimento do ser humano, acreditando que o nosso país é viável e que o ser humano também é viável, apesar de tudo. Continuar acreditando no auto cuidado e na orientação para a sexualidade. Quero continuar aprendendo sobre a vida, sobre saúde sexual, sobre HIV, auto cuidado, prevenção e saúde mental, além das relações e crescimento do ser humano. Enquanto tenho forças para aprender, continuo lutando e militando, ajudando e acreditando no ser humano e na vida”.
Fabi Mesquita, ativista. Instituto Multiverso

“2026 é um ano que me traz muitas expectativas e alguns temores. A Conferência da IAS no Rio, o II Seminário Internacional de Chemsex do Multiverso e o projeto inédito de comunicação e saúde que estou desenvolvendo para a faculdade de Medicina da Universidade São Judas Tadeu – Cubatão são desafios pessoais que me mobilizam intensamente”.
“Na esfera coletiva, será um ano de intensas disputas políticas e de narrativa, com as eleições no centro do cenário, e o grande desafio de impedir retrocessos e defender a democracia. Nesse contexto, destaco dois desafios centrais. O primeiro de trazer efetivamente o chemsex (prática de sexo com substâncias) para a agenda do HIV, sem moralismos, abordando o tema à luz da ciência e restabelecendo a importância da redução de danos, do cuidado em liberdade, da luta antimanicomial e do enfrentamento às comunidades terapêuticas. O segundo é fazer com que as agendas de HIV e mudanças climáticas avancem de maneira articulada, conectando saúde, território e meio ambiente a uma agenda comum de dignidade, autonomia e futuro”.
Tadeu Di Pietro, vice -presidente do Instituto Cultural Barong

“O povo brasileiro tem uma oportunidade neste ano, de compor um novo Congresso, que resgate a dignidade da coisa pública e consolide as conquistas da Constituição. ”
“Com um Executivo forte e um Congresso digno, poderemos retomar as políticas públicas que atendam a maioria da população, no que diz respeito à saúde, educação, condições de vida e trabalho saudáveis. Os direitos básicos da população, ao invés de termos tantos desvios com ‘rachadinhas’, emendas exorbitantes e corrupção partidária. Pode ser um um sonho ou utopia? Então aproveitemos o ano para construirmos isso juntos. Dentro e fora das redes, essa é nossa missão”.
Redação Agência Aids
Dicas de entrevista
Alessandra Nilo
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