04/05/2014 – 13h30
A mensagem de que a Parada LGBT é um ato político, e não uma festa, deu o tom às falas dos organizadores e também de representantes dos governos estadual e municipal durante a coletiva de imprensa realizada nesta manhã. A coletiva antecedeu a abertura da 18ª edição da Parada do Orgulho LGBT, que está sendo realizada hoje em São Paulo.
O presidente da APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo), Fernando Quaresma, foi o primeiro a discursar. Quaresma afirmou que recebe críticas de que o evento se tornou uma festa. “Alguns fazem essa afirmação. Porém, a Associação realiza diversas atividades o ano todo e não vemos essas pessoas colaborando”, disse.
Fazendo referência ao tema da Parada – País vencedor é país sem homolesbotransfobia: Chega de Mortes! Criminalização Já! Pela aprovação da Lei de Identidade de Gênero! – Quaresma exemplificou alguns casos em que a homofobia acontece no nosso cotidiano. “A homofobia existe, por exemplo, quando um aluno gay é discriminado e a escola não faz nada e quando as religiões relacionam a homossexualidade a questões demoníacas”. O tema do evento foi escolhido porque em dezembro de 2013 o Projeto de Lei Constitucional 122/06, que visa tornar crime a discriminação contra homossexuais, foi retirado de pauta do Senado.
Janaína Lima, a primeira mulher travesti eleita para presidir o Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de São Paulo, reforçou o sentido político do evento. “É um momento de luta e é isso o que queremos mostrar aos governantes”, afirmou. Janaína declarou ainda que o machismo tem sido “o pai” das opressões contra o público de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis. “Vamos à avenida!”, incentivou.
Para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a Parada é uma causa “republicana e democrática”. “É um momento de reflexão contra a intolerância, ainda muito arraigada na nossa sociedade”. Segundo Haddad, o fato de uma pessoa ser vítima de um crime porque é gay, mulher ou negro representa um crime não só contra a vítima, mas contra toda a humanidade.
Já a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, ressaltou que a luta contra a discriminação e violência aos LGBTs é uma “questão de poder”. “Infelizmente o poder no nosso país é do homem, branco, rico e heterossexual”. Ideli completou dizendo que os milhões que vão à avenida Paulista precisam pressionar o Congresso Nacional a aprovar leis em favor da diversidade.
Também discursando durante a coletiva de imprensa, um dos fundadores da Parada do Orgulho LGBT, Nelson Matias, criticou o fato de “muitas vezes os jornalistas se preocuparem mais com questões relacionadas a verbas e patrocínios para o evento do que com a mortes motivadas por homofobia”. Matias cobrou do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a criação de uma secretaria com políticas afirmativas para o público LGBT.
O governador de São Paulo não comentou a fala de Matias. Em seu discurso, lembrou que em 2001 foi promulgada a lei Estadual 10.948, que torna qualquer forma de discriminação um crime administrativo. Alckmin aproveitou para anunciar que o Museu da Diversidade Sexual será transferido da Estação República do Metrô para o Casarão Franco de Mello, na avenida Paulista. “A mudança valoriza o Museu, que passará para um endereço mais significativo, onde começou e continua a Parada LGBT”.
Fábio Serrato
Especial para a Agência de Notícias da Aids
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