04/03/2014 – 08h10
Existe o risco da mulher que tem HIV passar o vírus para seu bebê durante a amamentação. Mulheres que vivem com HIV/aids, ou suspeitam ter o vírus, devem procurar auxílio médico para serem testadas, aconselhadas e orientadas sobre como proceder para evitar a infecção da criança.
É importante que todos saibam como evitar a transmissão do HIV. Mulheres grávidas ou jovens mães devem estar cientes de que, se tiverem HIV, podem transmitir o vírus a seus filhos durante a gravidez, no parto ou durante o aleitamento materno.
Nos serviços de saúde, além de fazerem o teste, as mães soropositivas ficam sabendo que, no lugar do leite materno, o bebê pode tomar a fórmula infantil, que é de graça. E são orientadas a criar para o momento da amamentação um clima aconchegante, com a mesma atenção e carinho.
A gestante HIV positivo deverá receber o “Guia Prático de Alimentos para Crianças Menores de 12 Meses que não Podem ser Amamentadas”. A mãe soropositiva deverá ter sua lactação inibida logo após o parto, o que pode ser feito com inibidor de lactação. Deverá receber apoio tanto da equipe de saúde como das pessoas em quem confia para não se sentir discriminada por não estar amamentando.
Estudos sugerem que há uma relação entre a mortalidade dessa criança e o número que a mãe apresenta de linfócitos T CD4, células do sistema de defesa do organismo que são atacadas pelo vírus e indicam o estágio da infecção do portador.
Acredita-se que o grau de imunossupressão da mãe (defesa do organismo) afete diretamente a saúde do bebê. Uma pesquisa, conduzida por estudiosos dos Estados Unidos e da Zâmbia, mostrou que os filhos não-infectados de mães com contagem de CD4 inferior a 350 tinham 2,9 mais chances de morrer em até 4 meses do que aqueles cujas mães apresentavam um CD4 acima desse valor.
Em geral, os valores normais de um indivíduo saudável não-portador de HIV variam entre 600 e 1200.
De acordo com artigo sobre o estudo, que aguarda publicação no "International Journal of Epidemiology", os pesquisadores analisaram um total de 1.435 mulheres grávidas infectadas por HIV na cidade de Lusaka, capital da Zâmbia. As crianças de mães com CD4 inferior a 200 durante a gravidez tinham 3,2 mais chances de óbito em até 18 meses se comparadas àquelas cujo CD4 materno era superior a 500. A interrupção da amamentação, por sua vez, também foi associada a um CD4 baixo.
"Nós identificamos que os filhos não-infectados de mães com imunossupressão mais avançada foram amamentados por menos tempo e apresentaram mortalidade mais alta em até 18 meses de vida comparadas às crianças de mães que não estavam com a defesa do organismo prejudicada durante a gravidez", afirmou Matthew P Fox, da Boston University (EUA) . "Por isso estamos discutindo até que ponto, mesmo uma mãe com CD4 baixo, deva ou não dar de mamar a seu bebê", acrescenta.
De acordo com os pesquisadores, se confirmados, os resultados devem ser levados em consideração quando da decisão de se recomendar ou não a amamentação para crianças não-infectadas pelo HIV nascidas de mães infectadas.
"Os dados sugerem que é particularmente importante para mães com uma contagem baixa de CD4 próximas do parto persistir em tentar dar de mamar aos seus bebês não-infectados, embora este risco deva ser balanceado com o risco elevado de transmissão do HIV e uma duração maior da amamentação", destacou o pesquisador.
Proteção e benefícios
Os autores chamam a atenção, ainda, para um problema que assola sobretudo a África, onde os números de infectados pelo HIV são altíssimos e crescem assustadoramente, mas o acesso aos medicamentos é precário.
"Uma disponibilidade maior de terapia antirretroviral de alta eficácia deve também permitir às mães que amamentam a oportunidade de prolongar essa fase sem que haja um risco elevado substancial de transmissão do vírus e, consequentemente, dar aos seus filhos não-infectados a proteção e os benefícios adicionais decorrentes do leite do peito durante os primeiros meses críticos de vida", conclui o estudo.


