OPAS lidera esforço para eliminar doenças transmissíveis na América Latina, incluindo o HTLV-1

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Países da região aderem a novas práticas para evitar que o vírus HTLV-1 seja transmitido de mãe para filho, com o Brasil e outros países liderando iniciativas de prevenção e conscientização.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e seus países-membros estão promovendo uma ambiciosa iniciativa para eliminar mais de 30 doenças transmissíveis até 2030. Este esforço é parte de uma estratégia regional que visa não só combater infecções de longa data, como HIV e sífilis, mas também enfrentar o crescente desafio imposto pelo vírus HTLV-1.

Lançada em 2010, a iniciativa EMTCT Plus, destinada originalmente à eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV e da sífilis, expandiu-se em 2016 para incluir a hepatite B e a doença de Chagas congênita. Desde então, nove países e territórios, incluindo Cuba, Belize e Bermudas, já foram certificados pela OPAS como livres dessas infecções em nível de transmissão vertical. A América Latina, com sua vasta experiência e resultados expressivos, tornou-se um modelo no combate a essas doenças.

HTLV-1: Um novo desafio para a saúde pública

Entre as doenças recém-incluídas no portfólio da OPAS para eliminação está o HTLV-1, um retrovírus que causa infecção crônica e pode ser transmitido sexualmente, por sangue ou pela amamentação. Embora pouco conhecido, o HTLV-1 tem sido associado a condições graves, como a leucemia de células T do adulto e a mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM), que resulta em uma inflamação debilitante da medula espinhal. Dados mostram que a taxa de mortalidade entre portadores do HTLV-1 com HAM é maior do que entre aqueles que permanecem assintomáticos, segundo estudos realizados no Brasil, Japão e Reino Unido.

A infecção por HTLV-1 afeta especialmente comunidades de baixa renda, onde as taxas de desenvolvimento humano são mais baixas. No Brasil, estima-se que cerca de 5% das pessoas infectadas desenvolvam leucemia, enquanto 3% desenvolvem HAM. Além disso, até 26% dos portadores do vírus apresentam sintomas neurológicos, conforme estudos com coortes brasileiras.

Impacto social e agravamento das desigualdades

O impacto do HTLV-1 vai além das doenças mais conhecidas, como ATLL e HAM. A infecção pode desencadear outras condições inflamatórias, como dermatite infecciosa e síndrome de Sjögren, e aumentar em até 57% o risco de morte por todas as causas. Essa taxa elevada de mortalidade e as comorbidades associadas, como diabetes e doença renal crônica, têm implicações graves para as populações afetadas, que sofrem com estigma e discriminação, além da perda de capacidade produtiva.

O HTLV-1 também afeta negativamente a resposta imunológica, facilitando a ocorrência de coinfecções graves, como a estrongiloidíase, especialmente em regiões tropicais. Pessoas infectadas com HTLV-1 apresentam um risco 60 vezes maior de desenvolver formas graves dessa infecção.

Estratégias de prevenção e engajamento comunitário

Diante do desafio representado pelo HTLV-1, a OPAS e seus países-membros intensificaram esforços para entender melhor a disseminação do vírus na região e definir práticas eficazes de prevenção. A eliminação da transmissão de mãe para filho é um dos principais focos dessa nova frente de combate. A iniciativa EMTCT Plus estabelece processos e padrões rigorosos para validação da eliminação, abrangendo medidas de triagem em gestantes e aconselhamento sobre alternativas à amamentação, principal via de transmissão vertical.

Para combater o HTLV-1, a OPAS enfatiza a importância de campanhas de conscientização e capacitação de profissionais de saúde, para que possam aconselhar pacientes e implementar ações preventivas eficazes. Em alguns países, a inclusão do HTLV-1 nas políticas de saúde pública já começa a se concretizar, com campanhas educativas e iniciativas locais que buscam não só conter a transmissão do vírus, mas também reduzir o estigma e ampliar o acesso ao diagnóstico.

Compromisso com a justiça social

A inclusão do HTLV-1 entre as doenças candidatas à eliminação destaca o compromisso da OPAS com a justiça social e a redução de desigualdades. A organização reconhece que, para enfrentar os efeitos devastadores do HTLV-1, é necessário investir em saúde pública, aumentar o apoio a populações vulneráveis e garantir que futuras gerações estejam livres do impacto dessas doenças negligenciadas.

Redação da Agência de Notícias da Aids 

Apoios