ONU reafirma compromisso com resposta global à aids durante reunião do Conselho do Unaids

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Vice-secretária-geral das Nações Unidas destaca transição responsável do Unaids, alerta para restrições financeiras globais e defende retomada de investimentos para acabar com a aids como ameaça à saúde pública.

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, reafirmou o compromisso da ONU com a resposta global à aids e com uma transição responsável do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), durante a 57ª reunião do Conselho de Coordenação do Programa (PCB), realizada em Brasília. Em sua participação, Mohammed foi enfática ao afirmar que a ONU continuará ao lado dos governos e das comunidades “até que a aids seja erradicada como uma ameaça à saúde pública”.

Em discurso ao Conselho, a secretária-geral adjunta elogiou o caráter inclusivo e construtivo das deliberações e destacou que o processo de reforma ONU80, atualmente em curso, deve fortalecer — e não enfraquecer — a resposta global à aids. Segundo ela, a reforma precisa ser conduzida de forma deliberada e com foco na preservação do que já funciona. “Há um senso de urgência, mas permitam-me ressaltar que não temos pressa para fracassar. Devemos chegar a um consenso sobre todas as preocupações que o Conselho de Proteção da Criança e a sociedade civil expressaram, especialmente nas últimas semanas”, afirmou.

Amina Mohammed também chamou atenção para o cenário econômico desafiador enfrentado por muitos países, especialmente os de baixa e média renda. Ela alertou para as crescentes pressões financeiras, impulsionadas pelo alto nível de endividamento e pelo custo do serviço da dívida, que têm sobrecarregado os recursos internos. “Os governos, mesmo que quisessem priorizar o HIV e a aids em seus orçamentos, francamente, estão retirando verbas da educação e da saúde, porque não conseguem arcar com esses custos”, disse. Para ela, parte do desafio atual da estratégia da ONU80 — da qual o Unaids faz parte — é convencer a comunidade internacional a voltar a investir na resposta à epidemia.

A iniciativa ONU80 tem como objetivo tornar o sistema de desenvolvimento das Nações Unidas mais coerente, integrado e adequado a um mundo em rápida transformação. No caso do Unaids, isso se traduz em uma transição em duas fases, com a preservação de suas funções essenciais e de maior valor agregado à resposta global à aids, como liderança e defesa de direitos, mobilização e coordenação, prestação de contas e produção de dados, além do engajamento comunitário.

Durante a reunião, o PCB aprovou decisões consideradas históricas, que devem orientar a próxima fase da resposta ao HIV. Entre elas está a adoção da Estratégia Global de Combate à Aids 2026–2031, descrita como um roteiro ousado, baseado em evidências e fundamentado nos direitos humanos, na igualdade de gênero e na liderança comunitária. A estratégia servirá de base para os preparativos da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre aids, prevista para 2026, além de orientar as negociações da próxima declaração política.

Outro ponto central foi a transição do Unaids no contexto da ONU80. O Conselho reafirmou o compromisso com um processo responsável e inclusivo de integração do Programa Conjunto ao sistema de desenvolvimento das Nações Unidas. Para garantir que essa transição ocorra de forma ordenada e transparente, preservando as funções essenciais do Unaids, será criado um Grupo de Trabalho do Conselho de Coordenação no início de 2026.

Ao comentar o processo, Amina Mohammed destacou a experiência positiva do PCB. “Já vi muitos exemplos disso nas agências que presido no Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Este é realmente muito bom. Por quê? Porque tem muita clareza, tem uma divisão de trabalho muito bem definida, mas acho que, neste caso específico, o que contribuiu foi essa natureza inclusiva que vocês tiveram e demonstraram no PCB, com a sociedade civil tendo uma voz tão forte”, afirmou.

A reunião também contou com um debate temático de um dia dedicado aos antirretrovirais de longa duração, ressaltando o potencial dessas tecnologias para transformar a prevenção e o tratamento do HIV. Segundo os participantes, com vontade política, financiamento adequado e parcerias estratégicas, essas inovações podem reduzir de forma significativa as novas infecções e acelerar o avanço rumo ao fim da aids.

Ao encerrar sua participação, Amina Mohammed deixou uma mensagem direta ao Conselho e à comunidade internacional: “Acabar com a aids ainda é possível. Mas só se os recursos forem compatíveis com a nossa ambição.”

Redação da Agência de Notícias da Aids

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