6/12/2006 – 17h00
Prêmio concede US$ 20 mil a cinco organizações de combate à Aids; outras 20 entidades, incluindo uma do Brasil, receberam US$ 5 mil
Cinco organizações que oferecem apoio a pessoas infectadas com o HIV, ajudam a combater o preconceito contra soropositivos e as desigualdades entre homens e mulheres impulsionadas pela epidemia, organizam programas de prevenção à Aids e auxiliam filhos de pais mortos pela doença receberão US$ 20 mil para reforçar seus trabalhos. As entidades — que atuam na Tailândia, Ucrânia, Zimbábue, Bangladesh e Zâmbia — foram as ganhadoras do Prêmio Laço Vermelho, organizado pelo PNUD internacional e pelo UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids).
As finalistas foram escolhidas após um funil que começou com inscrições de 500 organizações de mais de 100 países, em dezembro do ano passado, passou por uma seleção de 25 projetos — em 16 de agosto deste ano, durante a Conferência Aids 2006, em Toronto (Canadá) — e terminou com a divulgação dos cinco vencedores, no Dia Internacional de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro.
Elas concorriam em cinco categorias: promoção do acesso ao tratamento e apoio de pessoas infectadas; combate à discriminação dos portadores; promoção de programas de prevenção a Aids; apoio a crianças órfãs pela doença; e iniciativas que contribuíram para diminuir as disparidades de gênero.
Entre as 25 finalistas estava uma organização não-governamental brasileira, o GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção à Aids), de Fortaleza, que há 17 anos desenvolve atividades de prevenção ao HIV junto a 10 mil pessoas por ano — em geral jovens pobres, mulheres e homossexuais. Entre as ações feitas pela organização, destaca-se o projeto Se Cuida Galera, desenvolvido entre 2002 e 2005: a atividade formou mais de 250 meninos e meninas entre 15 e 21 anos, para realizarem, em seus próprios bairros, palestras e oficinas que abordam métodos contraceptivos, gravidez na adolescência, igualdade de gênero e drogas. Apesar de não ser uma das ganhadoras, a entidade — junto com as outras 20 que não vão receber o prêmio final — vai ganhar US$ 5 mil.
As cinco atividades vencedoras se destacaram por apresentar formas criativas e sustentáveis de ajudar no combate à epidemia e no auxílio de pessoas que convivem com HIV e Aids. Entre as selecionadas, está a Mboole Rural Development, uma organização da Zâmbia — país com a sétima maior proporção de pessoas entre 15 e 49 anos vivendo com o vírus (17%). Os trabalhos da entidade começaram por iniciativa de um jovem costureiro de 24 anos, que em 2000 começou a fazer uniformes escolares para órfãos. Em 2006, o grupo forneceu roupas para 41 crianças e, com o prêmio, será possível, no próximo ano, ajudar um total de 100 pessoas. A ONG planeja ainda providenciar sapatos e livros escolares para o mesmo número de meninos e meninas.
As outras ganhadoras são a Girl Child Network , do Zimbábue — quarto país em porcentagem de soropositivos entre 15 a 49 anos (20,1%) —, que desde 1998 atendeu 20 mil meninas e mulheres jovens de áreas rurais, inclusive vítimas de violência sexual, oferecendo apoio para que elas permaneçam na escola; a Thai Network of People Living with HIV/AIDS (da Tailândia), que em 2001 organizou uma campanha bem-sucedida para obrigar o sistema público de saúde a oferecer drogas anti-retrovirais; o The All Ukrainian Network of People Living With HIV/Aids (da Ucrânia), que organiza centros de tratamento e grupos de apoio para pessoas soropositivas; e a Durjoy Nari Shongo (de Bangladesh), que distribui preservativos e faz campanhas informativas sobre o vírus para prostitutas.
A premiação parte de uma política do PNUD de intensificar a parceria com o UNAIDS para combater a epidemia e ajudar os países a alcançarem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que as nações da ONU se comprometeram a atingir até 2015). (Talita Bedinelli – da PrimaPagina)
Fonte: PNUD


