
A violência de gênero segue como uma das mais graves violações dos direitos humanos e um obstáculo significativo para o fim da aids como ameaça à saúde pública. A relação entre violência doméstica e o aumento do risco de infecção pelo HIV entre mulheres, bem como o impacto negativo no acesso a testes e tratamentos, evidencia a complexidade dessa questão.
Dados alarmantes mostram que uma em cada oito meninas no mundo sofre violência sexual antes dos 18 anos. Normas de gênero prejudiciais, sistemas de saúde frágeis e a baixa prioridade para serviços de saúde sexual e reprodutiva seguros agravam ainda mais a vulnerabilidade feminina ao HIV e dificultam o acesso aos cuidados necessários.
Além disso, mulheres vivendo com HIV enfrentam violações recorrentes de seus direitos. Entre os abusos relatados estão o estigma no atendimento médico, pressões para não ter filhos, esterilizações forçadas ou coagidas e interrupções de gravidez sem consentimento.
Winnie Byanyima, Diretora Executiva do Unaids, reforçou a urgência de combater as raízes do problema: “Devemos lutar contra o patriarcado e a pobreza para manter as meninas na escola, oferecer espaços seguros e oportunidades econômicas para mulheres, além de garantir seu reconhecimento e liderança. Também precisamos eliminar normas rígidas de gênero que perpetuam a masculinidade tóxica e a violência baseada em gênero.”
Os assassinatos relacionados à violência de gênero representam o desfecho mais mortal dessa crise global. Segundo dados de 2022, 89 mil mulheres e meninas foram vítimas de feminicídio — o maior número registrado em 20 anos. Mulheres transgênero, profissionais do sexo e ativistas LGBTQ+ estão entre as populações mais vulneráveis, conforme destacou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
16 Dias de Ativismo: rumo à igualdade de gênero
Neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, o tema “UNI-VOS para Acabar com a Violência contra Mulheres e Meninas: Rumo a Pequim +30” marca o início dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero. A campanha, que se estende até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, relembra que, mesmo após 30 anos da Declaração de Pequim, o objetivo de igualdade de gênero permanece distante.
O Unaids reafirmou seu compromisso em trabalhar com governos, empresas, sociedade civil e movimentos femininos para garantir um futuro onde os direitos e a dignidade de todas as mulheres e meninas sejam respeitados, incluindo aquelas que vivem com HIV ou estão em situação de risco.
Criada em 1991, a campanha dos 16 dias de Ativismo é um chamado global à ação para eliminar a violência de gênero, reforçando que a luta por um mundo igualitário não pode esperar.
Redação da Agencia Aids com informações do Unaids


