ONGs LGBT pedem providências sobre espancamento de jovem gay por taxistas em Curitiba

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01/09/2014 – 19h

Cenas brutais da agressão verbal e física de taxistas a um jovem gay que, supostamente, estaria assediando-os por meio de um aplicativo de celular foram parar na internet e causaram enorme indignação nessa segunda-feira (1). Segundo o site Lado A, no início, o taxista que levava o garoto no carro abordado chega a dizer que não é este o rapaz, mesmo assim, os homens o perseguem e ele sai correndo pedindo socorro. O filme, que você vê acessando aqui, teria sido feito pelos próprios taxistas.

Diante da violência, duas entidades de defesa dos direitos da população Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), Grupo Dignidade e Aliança Jovem LGBT pedem providências urgentes às autoridades nacionais, estaduais e municipais. A ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Maria Tereza Uille Gomes, da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e Gustavo Fruet, prefeito de Curitiba estão entre os que receberam o pedido.

Veja, a seguir, os documentos, na íntegra

Do Grupo Dignidade:

Prezadas Senhoras, Prezados Senhores,
O Grupo Dignidade é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundado em 1992 em Curitiba. É pioneiro no estado do Paraná na área da promoção da cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).

Posto isto, nesta data está circulando na internet e nas mídias sociais o relato de um rapaz que foi agredido física e verbalmente por um grupo de taxistas de Curitiba, porque supostamente vinha assediando-os sexualmente.
O relato está disponível nos links a seguir e vem acompanhado de um vídeo que teria sido feito pelos próprios taxistas mostrando as agressões que praticaram contra o rapaz:

ASSISTA: Taxistas agridem rapaz em Curitiba que seria gay usando app de táxi para se oferecer sexualmente | Revista Lado Ahttps://revistaladoa.com.br/2014/09/noticias/taxistas-agridem-rapaz-em-curitiba-que-seria-gay-usando-app-taxi-para-se-oferecer#ixzz3C58JAT8I
https://www.youtube.com/watch?v=-C10-u-SENE

O Grupo Dignidade não defende o assédio sexual, ou qualquer outra forma de desrespeito às pessoas, no entanto nada justifica a barbárie com que o rapaz foi tratado. Existem meios legais e civilizados de se registrar queixa.
Neste sentido, vimos por meio deste solicitar a tipificação dos crimes que podem ser vistos no vídeo, bem como sua apuração e responsabilização dos culpados pelo ataque ao rapaz.

A Aliança Jovem LGBT também assina este Ofício e acrescenta Nota de Repúdio que vai anexa.


Nota de repúdio da Aliança Jovem LGBT

A Aliança Jovem LGBT, organização da sociedade civil, fundada em agosto de 2012, que atua na defesa e promoção da cidadania de jovens lgbt e população lgbt acima dos 50 anos vêm através desta nota repudiar a ato de taxistas da cidade de Curitiba, estado do Paraná contra um jovem gay.
Somos totalmente contra a ação ilegal de “grupos”, sejam eles organizados ou não, que pratiquem ou incentivem a perseguição e violência contra pessoas cuja sua orientação sexual seja homossexual.

Em momento algum a Aliança Jovem LGBT apoia a atitude do jovem em fazer ligações com propostas de cunho sexual aos profissionais que estavam na execução de suas atividades profissionais, pois impedir o trabalho de uma pessoa também é crime, entretanto não admitimos a ação truculenta, violenta e ilegal praticada pelos taxistas. Acreditamos que a ação correta por parte dos taxistas seria procurar a autoridade policial para resolver a questão.

Sabemos também através de denuncias em nossas organizações que muitos taxistas (a minoria) também assediam passageiros LGBTs, sabemos também que se no lugar do jovem gay, a ação fosse realizada por uma mulher heterossexual, os taxistas jamais iriam armar essa “emboscada” com outros parceiros.

Este ano em nosso país tivemos 3 assassinatos provocados pela “justiça pelas próprias mãos” e não podemos ser solidários a estas ações.

A Aliança Jovem LGBT se coloca a disposição do jovem e espera que o mesmo formalize uma denuncia tanto no departamento policial, como no disque Direitos Humanos da Presidência da Republica (Disk 100).

Uma sociedade mais justa e igualitária só será formada quando o respeito pelo outro fizer parte do nosso cotidiano.

Sem mais a acrescentar, lamentamos e repudiamos profundamente o acontecido. Encerramos a presente nota afirmando a necessidade, e assumindo o compromisso de organizar os jovens lgbt contra toda forma de opressão e violência homofóbica, respeito aos profissionais em exercício de suas atividades, repudiando tais atitudes e fortalecendo a luta pela igualdade de direitos, independente da orientação sexual de cada um, para assim iniciar a superação dos preconceitos existentes em nossa sociedade.

Redação da Agência de Notícias da Aids, com Grupo Dignidade,  Aliança Jovem LGBT e site Lado A

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