08/08/2014 – 16h50
Das notícias da 20ª Conferência Internacional de Aids, que aconteceu no fim de julho, na Austrália, ao comprometimento dos candidatos ao governo de São Paulo com a aids, passando pela batalha que será preciso empreender para baratear o preço do Sofosbuvir, novo remédio para hepatite C. Foi assim, ampla e diversificada, a pauta da reunião do Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), na manhã dessa sexta-feira (8), no centro da capital paulista.
No encontro, aberto com uma avaliação do projeto Advocay em Saúde (leia aqui), ficou decidido que o Foaesp vai entregar a cada candidato a governador um programa mínimo de ações com as quais espera que eles se comprometam. O presidente do Fórum, Rodrigo Pinheiro, contou que já fez contato com Geraldo Alckmin (PSDB) e Alexandre Padilha (PT) e espera retorno deles para agendar uma data .
O programa lista itens como garantir a continuidade da assistência às pessoas vivendo com HIV/ aids (PVHA), em serviços de atenção especializada (SAEs), por profissionais competentes. A não exigência de atendimento dos pacientes em unidades por critério domiciliar, por entender que isso fere o direito ao sigilo, favorecendo o estigma e a discriminação, é outro ponto do documento.
O Foaesp também reivindica dos candidatos que se comprometam a instituir metas de redução dos casos de aids entre as populações consideradas mais vulneráveis, como homens que fazem sexo com outros homens (HSH), trabalhadores e trabalhadoras do sexo, população privada de liberdade e usuários de drogas. E ainda a criação de conselhos gestores em todos os ambulatórios e hospitais estaduais, entre outras questões.
O atraso no repasse aos estados e municípios de incentivo financeiro de custeio às ações de combate às DST/aids e hepatites virais, por parte do Ministério da Saúde, também foi discutido. Embora o depósito do dinheiro tenha sido feito no início de agosto, participantes da reunião consideraram que o governo deve à sociedade civil uma explicação. E cobraram isso de Artur Kalichman, coordenador adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.
Artur disse não saber o por que da demora no repasse das verbas, mas considerou que não houve prejuízo para as ações, levando em conta que havia sobras do repasse anterior em caixa. “Ações foram prejudicadas, sim”, insisitiu Rodrigo. “Essa reunião de hoje quase não pôde ser marcada , porque eu temia não ter como custear a vida das pessoas do interior.”
Como na reunião anterior, do dia 11, a ideia de se criar uma rede de atenção integral às pessoas vivendo com HIV/aids em São Paulo, anunciada no mês passado pelo secretário estadual da Saúde, David Uip, voltou à pauta. Trata-se do projeto que pretende disponibilizar aos pacientes uma rede integrada de saúde, visando reduzir o diagnóstico tardio e a mortalidade por aids, entre outras metas.
Artur Kalichman reforçou a tese do Programa Estadual de DST/Aids de que é preciso garantir a manutenção dos Serviços de Atenção Especializada (SAEs). Contou que estão conversando com o secretário David Uip para garantirem no orçamento do ano que vem uma verba extra para esses serviços. A descentralização dos SAEs, avaliou Artur, é um sucesso. “Hoje, esses serviços funcionam muito bem nos municípios.”
O coordenador adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo também respondeu a algumas dúvidas sobre o Sofosbuvir, novo medicamento para tratar hepatite C, que tem sido objeto de protestos no mundo todo por causa do preço elevado. O laboratório Gilead vende a mil dólares (mais de dois mil reais) um único comprimido. Sai por US$ 84 mil (cerca de R$ 170 mil ) o tratamento completo.
“Realmente o remédio é eficiente, provoca menos efeitos colaterais mas ele só vai ser bom no dia em que ficar acessível para a população. Não adianta ter remédio bom se ele não puder ser acessado”, resumiu Artur.
Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)



