27/05/2014 – 13h30
A ONG C Tem Que Saber C Tem Que Curar, associação de pacientes com hepatite C, lançou a campanha "Hepatite C tem cura. Seja um campeão. Vença esse jogo", com objetivo de conscientizar turistas e brasileiros, durante a Copa do Mundo, sobre os riscos da doença, as formas de contágio e como diagnosticá-la precocemente. Serão distribuídas 3,6 milhões de cartilhas informativas, em português e inglês, nas 12 cidades-sede da Copa, durante o Campeonato Mundial. O material estará disponível em hotéis, pontos de táxi, restaurantes e aeroportos.
A campanha tem como objetivo orientar sobre a realização do teste específico, para evitar novas infecções, e levar muita gente à detecção precoce da doença. A hepatite C é uma doença silenciosa que atinge, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 150 milhões de pessoas no mundo, com 500 mil óbitos ao ano, sendo cerca de 3 milhões no Brasil.
Dados da C Tem Que Saber C Tem Que Curar mostram que a cada 50 brasileiros um tem hepatite C e 95% não sabem, pela ausência de sintomas. A disseminação da hepatite C é cinco vezes maior do que o número dos infectados pela aids, doença que atinge cerca de 630 mil brasileiros e 33,5 milhões de pessoas em todo mundo.
A hepatite C é causada por um vírus que ataca o fígado de forma lenta, sem sintomas físicos para o portador. O vírus pode ocasionar, na maioria das vezes, cirrose e câncer hepático. A evolução do dano hepático é diferente para cada indivíduo – alguns podem levar até 20 anos para manifestar a doença.
A hepatite C é transmitida pelo sangue contaminado. Transfusões e o compartilhamento de seringas e agulhas de injeção foram responsáveis pela maioria das infecções da doença até 1993. Por isso, os riscos são maiores para aqueles que têm mais de 45 anos. Atualmente, com o uso de materiais descartáveis na medicina, os maiores fatores de risco são o compartilhamento de utensílios para o consumo de drogas injetáveis ou aspiradas, que representam dois terços das novas infecções, e acidentes com instrumentos perfuro-cortantes, como os utilizados pela manicure, barbeiros e dentistas.
Não há comprovações de contágio por fluidos corporais, como saliva, suor, sêmen e leite materno. Já a transmissão via sexual, apesar de rara, é possível em casos de ferimentos nos órgãos genitais.
Na ausência de uma vacina contra a hepatite C, o melhor é optar pela prevenção, evitando, principalmente, o contato com sangue contaminado. Por isso, a importância dessa campanha na informação. De qualquer forma, é fundamental detectar os milhões de infectados já existentes e evitar que a doença evolua para danos irreversíveis à saúde.
A Hepatite C pode ser detectada por um exame de sangue chamado Anti-HCV, realizado gratuitamente em alguns hospitais da rede pública. É uma obrigação do município realizar gratuitamente o teste. A hepatite C tem tratamento e a cura é possível para a maioria dos infectados. Quando detectada precocemente, a chance é maior. O tratamento é gratuito e o medicamento para controle e cura é disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Entre as características dos grupos de maior risco, estão: indivíduos que receberam transfusão de sangue, algum transplante de órgão ou fizeram uso de fatores sanguíneos antes de 1993; usuários de drogas injetáveis; doentes renais em hemodiálise; pessoas que apresentem resultados de transaminases anormais ou evidência de dano hepático; hemofílicos; profissionais da área da saúde, após acidente biológico ou exposição com sangue contaminado; filhos de mulheres contaminadas com hepatite C; contaminados pelo vírus da aids.



