Em série de eventos na capital paulista, a entidade promoveu espaços de discussão intersetorial nos quais foi lançado o livreto “Vamos Falar Sobre: Redução de Danos, Direitos Humanos, Prevenção Combinada e Estigma”

Na última semana, a ONG É de Lei organizou o Fórum Intersetorial sobre Drogas e Direitos Humanos (FIDDH) na cidade de São Paulo promovendo diversos eventos espalhados pelo município que criaram espaços coletivos para centralizar demandas e o compartilhamento de experiências sobre Redução de Danos, a fim de se construir uma política sobre drogas pautada no cuidado. Este ano, o FIDDH ainda aprofundou a discussão sobre Prevenção Combinada às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), como HIV/aids e Hepatites Virais.
No Encontro Municipal que ocorreu no Museu das Favelas na última quinta (20), foi lançada a cartilha “Vamos Falar Sobre: Redução de Danos, Direitos Humanos, Prevenção Combinada e Estigma”. Segundo Michel de Castro, organizador do Fórum e especialista em Saúde Pública, o espaço foi criado em 2008 através da articulação de trabalhadores e usuários da região central, pensando na perspectiva do cuidado pautado na redução de danos e na política de drogas. Em ano de eleições, ele lembra da importância de termos um poder legislativo que consiga apresentar políticas e projetos de lei pautados na redução de danos e na prevenção combinada “Muitas pessoas ainda não conhecem as tecnologias como PrEP e PEP, então a gente precisa ampliar essa discussão no poder legislativo, com vozes de parlamentares que defendem uma saúde pública de fato emancipadora”, afirma.
A vereadora Luana Alves pelo Psol, esteve presente e falou sobre os desafios enfrentados pelos paulistanos atualmente. “Estamos vivendo em um momento em que a saúde está ganhando uma configuração de privatização, o que significa que os interesses privados dão a linha no final. Mesmo quando a gente cria as diretrizes nas Coordenadorias, quem está gerindo o serviço é uma OSS, que tem a sua própria ética e moral”, apontou.
Fabio Pereira Campos Misael, membro da associação AMPARAR (Associação de familiares e amigos de presos/as), seguiu a discussão refletindo sobre a violação dos direitos humanos sofrida pelas populações periféricas, especialmente pobres e negros. “Os nossos jovens estão à mercê da política de segurança pública, que não é uma política de cuidado. E neste espaço aqui, em que a gente está discutindo uma política de cuidado, pra gente é extremamente importante, que a gente consiga levar isso para os nossos territórios para dialogar. Qual é a relação efetiva de cuidado que a gente tem com as pessoas que estão nos nossos territórios fazendo uso de substâncias, e como que a gente olha pra isso e pensa na possibilidade de dialogar sobre redução de danos? Como a gente dialoga com uma mãe cujo filho acabou de ser encarcerado por conta do tráfico e propor uma ideia de redução de danos?”
A “É de Lei” foi fundada em 1998 e atua desde o início no acolhimento de usuários de drogas, em especial pessoas em situação de rua da Cracolândia. A redução de danos caracteriza-se como uma abordagem ao fenômeno das drogas que visa minimizar danos sociais e à saúde associados ao uso de substâncias psicoativas.
No Brasil, a redução de danos data do final da década de 80 com a troca de seringas usadas por estéreis, em Santos, nas cenas de uso de drogas injetáveis para conter a disseminação de HIV/aids, já que o compartilhamento de seringas era uma prática constante.

Clique aqui para baixar a cartilha gratuitamente.
Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista:
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