OMS recomenda pela primeira vez uso de doxiciclina para prevenir ISTs após relações sexuais

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A Organização Mundial da Saúde deu um passo considerado histórico na resposta global às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Em nova diretriz divulgada nesta segunda-feira (18), em Genebra, a agência passou a recomendar oficialmente o uso da profilaxia pós-exposição com doxiciclina — conhecida como doxiPEP — para ajudar a prevenir ISTs bacterianas entre homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero.

A medida marca a primeira recomendação formal da OMS sobre o tema e surge em meio ao avanço persistente de casos de sífilis, clamídia e gonorreia em diferentes regiões do mundo, especialmente entre populações-chave mais vulneráveis à infecção.

A estratégia consiste no uso da doxiciclina após relações sexuais como forma de reduzir o risco de transmissão de ISTs bacterianas. Segundo a OMS, evidências científicas acumuladas nos últimos anos demonstram que o medicamento pode diminuir significativamente os casos de sífilis e clamídia e, em determinados contextos, também reduzir infecções por gonorreia.

“Esta nova recomendação representa um importante passo na ampliação das opções de prevenção das ISTs”, afirmou a diretora do Departamento de HIV, Tuberculose, Hepatites e ISTs da OMS, Tereza Kasaeva. Segundo ela, a expectativa é que governos e parceiros internacionais atuem conjuntamente para expandir o acesso à estratégia baseada em evidências científicas.

A agência, no entanto, alerta que a implementação da doxiPEP deve ocorrer dentro de uma abordagem ampla de saúde sexual. A recomendação inclui priorizar pessoas com histórico recente ou recorrente de ISTs — especialmente sífilis — e reforçar o monitoramento da resistência antimicrobiana, preocupação crescente no cenário global de saúde pública.

Apesar de compromissos internacionais assumidos por países no âmbito das estratégias globais da OMS e das declarações políticas das Nações Unidas sobre HIV/aids e cobertura universal de saúde, as taxas de ISTs continuam em ascensão em diversos contextos. Homens que fazem sexo com homens e mulheres trans seguem entre os grupos mais impactados.

Para a OMS, fatores como acesso limitado a métodos preventivos além do preservativo, dificuldade de acesso a serviços de saúde sexual, estigma, discriminação e a baixa integração entre políticas de HIV e prevenção de ISTs ajudam a explicar o agravamento do cenário.

Como próximos passos, a organização informou que promoverá webinars e ações de capacitação para apoiar os países na adoção da nova diretriz. O documento completo, incluindo tabelas de evidências e orientações detalhadas para implementação, deverá ser incorporado às diretrizes consolidadas da OMS sobre ISTs nos próximos meses.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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