OMS lança diretriz inédita para conter ameaça global da meningite

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quinta-feira (11) suas primeiras diretrizes globais voltadas ao diagnóstico, tratamento e cuidados de longo prazo da meningite, uma das doenças infecciosas mais letais do mundo. A iniciativa visa acelerar a identificação de casos, garantir tratamento rápido e melhorar o acompanhamento de pacientes que sobrevivem à enfermidade, especialmente em países com maior vulnerabilidade.

Segundo a OMS, a meningite bacteriana — a forma mais grave da doença — pode ser fatal em até 24 horas após o início dos sintomas. Dados de 2019 apontam cerca de 2,5 milhões de casos registrados no mundo, sendo 1,6 milhão de origem bacteriana, com 240 mil mortes, o equivalente a uma em cada seis pessoas infectadas. Entre os sobreviventes, 20% ficam com sequelas duradouras, como deficiências físicas e neurológicas que impactam significativamente a qualidade de vida.

A nova diretriz tem como público-alvo crianças com mais de um mês de vida, adolescentes e adultos diagnosticados com meningite aguda. O documento traz orientações sobre todas as etapas do atendimento clínico, incluindo diagnóstico, administração de antibióticos, tratamentos complementares, cuidados de suporte e manejo das complicações a longo prazo.

“Apesar de termos vacinas e tratamentos eficazes, a meningite segue como uma grave ameaça à saúde global. A implementação dessas diretrizes é essencial para salvar vidas e fortalecer os sistemas de saúde”, destacou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Além das causas bacterianas, as recomendações também abordam a meningite viral, dada a semelhança dos sintomas iniciais entre as diferentes formas da doença. A padronização do manejo clínico pretende evitar atrasos no diagnóstico e garantir uma resposta mais eficiente dos serviços de saúde.

Alta incidência no “cinturão da meningite”

Embora qualquer pessoa possa ser afetada, a maior parte dos casos se concentra em países de baixa e média renda, especialmente na África Subsaariana. A região abriga o chamado “cinturão da meningite”, zona com alta incidência da doença e onde são recorrentes surtos epidêmicos de meningite meningocócica.

A nova diretriz também reforça os compromissos do plano global “Derrotando a Meningite até 2030”, aprovado pelos Estados Membros da OMS em 2020. Entre os principais objetivos do plano estão a eliminação de surtos da forma bacteriana da doença e a redução em 50% do número de casos por meio da ampliação da cobertura vacinal.

Redação da Agência de Noticias da Aids com informações

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