OMS: 1,7 bilhão de pessoas no mundo podem estar sob risco das Doenças Tropicais Negligenciadas

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Hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana transmitida por cães, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma são algumas das mais de 20 Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) presentes nas Américas. Juntas elas causam entre 500 mil e 1 milhão de óbitos por ano na região. Para dar visibilidade a esse tema e para a população acometida por essas doenças, anualmente em 30 de janeiro é comemorado o Dia Mundial de Enfrentamento às Doenças Tropicais Negligenciadas.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,7 bilhão de pessoas no mundo podem estar sob risco das Doenças Tropicais Negligenciadas, com a ocorrência de 200 mil mortes por ano. No Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é de cerca de 30 milhões de pessoas sob risco. As DTNs mais comuns no país são: doença de Chagas, esquistossomose, filariose linfática, hanseníase, leishmaniose visceral, leishmaniose tegumentar, oncocercose, raiva humana, tracoma e acidente ofídico.

Em 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde fazem um chamado para todas as pessoas, incluindo líderes e comunidades para que possam “Participar, Agir e Eliminar” as DTNs e, dessa forma, garantir melhores condições de vida para as comunidades.

No Brasil, o Ministério da Saúde com apoio da OPAS está promovendo, entre os dias 30 e 31 de janeiro, um Seminário alusivo a data, com a participação de profissionais de saúde, pesquisadores e organizações que têm contribuído significativamente no enfrentamento dessas doenças.

Presente na mesa de abertura do Seminário, o coordenador da unidade de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde do escritório da OPAS e da OMS no Brasil, Miguel Aragon, destacou que as doenças negligenciadas são fortemente influenciadas por determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde. Por isso, é crucial que sejam pensadas abordagens integradas e estratégias eficazes para lidar com essas doenças, com políticas inclusivas, que considerem as populações em situações de vulnerabilidade, e a alocação de recursos adequados para pesquisa, prevenção e tratamento. Além de tecnologias que aumentem a oportunidade de diagnóstico e tratamento destas doenças.

“Os desafios são conhecidos por meio da ciência, das nossas práticas, das nossas vivências e das comunidades. Precisamos trabalhar cada vez mais unidos para fazer esse enfrentamento e atingirmos as metas que temos propostas nos nossos planos, para podermos canalizar os recursos que tanto são precisos e fazermos o trabalho que precisamos fazer”, destacou.

A diretora do departamento de doenças transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), do Ministério da Saúde do Brasil, Alda Maria da Cruz, ressaltou que eliminar doenças é possível e que o país está trabalhando nessa lógica. “Nós já entregamos o dossiê para a certificação da eliminação da Filariose Linfática e temos outras doenças que já estão entrando nesta lista de eliminação”. O Brasil tem avançado no processo de redução da carga de DTNs, como a Doença de Chagas, que foi incluída na estratégia de eliminação da transmissão vertical, e do tracoma.

Estiveram presentes na mesa de abertura membros do Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conasems), e do Conselho Nacional de Saúde.

Dados do Brasil

Doenças tropicais negligenciadas afetam mais de 1,6 bilhão de pessoas – Revista

O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (30), o Boletim Epidemiológico Doenças Negligenciadas no Brasil: morbimortalidade e resposta nacional no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (período 2016-2020).

Entre 2016 e 2020 foram identificados 583.960 casos novos das DTNs, com uma média anual de 116.792 casos. Em todo o período, as maiores taxas de detecção de casos foram verificadas nas Regiões Norte e Nordeste. Um total de 40.857 óbitos como causa múltipla foi registrado nos últimos cinco anos. Os óbitos foram destacados em níveis significativos em todo o período, principalmente nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

Muitas dessas condições infecciosas têm transmissão vetorial, com participação de reservatórios animais, além de estarem associadas a ciclos de vida complexos. As DTNs são resultantes de desigualdades e vulnerabilização e acontecem principalmente em áreas tropicais e subtropicais. Elas têm sido causa e, ao mesmo tempo, consequência da condição de pobreza estrutural para muitas pessoas, ocasionando incapacidade física e deficiência, estigmatização, exclusão social, discriminação e morte prematura. O controle passa uma perspectiva mais ampliada, de desenvolvimento humano e social, com caráter inclusivo e de enfrentamento à pobreza, envolvendo dimensões ambientais, de saúde humana e animal.

Doenças Tropicais Negligenciadas

O Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas foi instituído em 2020 pela Assembleia Mundial da Saúde e é celebrado em 30 de janeiro. O tema deste ano é “Participe. Aja. Elimine. Vamos melhorar a vida de nossas comunidades combatendo as doenças tropicais negligenciadas nas Américas”.

As doenças infecciosas negligenciadas são um grupo diversificado de condições mais comumente presentes em regiões de vulnerabilidades sociais, onde a segurança da água, o saneamento e o acesso aos cuidados de saúde são precários.

A OPAS vem apoiando os países das Américas para fortalecer a implementação, monitoramento e avaliação de programas para controlar e eliminar as doenças tropicais negligenciadas por meio de cooperação técnica, desenvolvimento de diretrizes e capacitação, bem como por meio da doação de medicamentos e outras ferramentas médicas, como testes diagnósticos. A Organização também possui uma iniciativa para eliminar cerca de 30 doenças infecciosas e condições relacionadas até 2030.

Redação da Agência Aids com informações

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