OIT DIVULGA ESTUDO SOBRE IMPACTO ECONÔMICO DA AIDS NOS PAÍSES POBRES

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30/11/2006 – 18h30

A Aids atinge fortemente o mundo do trabalho nos países pobres, os mais afetados pela epidemia, e também prejudica o crescimento econômico, particularmente na África. É o que aponta um relatório que será divulgado nesta sexta-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 2005, “mais de três milhões de pessoas economicamente ativas no mundo estavam totalmente ou parcialmente inaptas para o trabalho por causa da Aids, três quartos delas na África subsaariana”, destaca o estudo realizado por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de Dezembro).

A epidemia influenciou negativamente o crescimento econômico dos dez últimos anos, ressalta a OIT, estimando que 43 países perderam em média 0,5% de crescimento cada ano entre 1995 e 2004. “Esta perda chega a 0,7% nos 31 países da África Subsaariana”, frisa a organização.

O golpe na economia repercute no mercado de trabalho, segundo a OIT, que avalia em 1,3 milhão o número de empregos perdidos a cada ano no mundo, dos quais 1,1 milhão para a África sozinha.

Segundo as estimativas da OIT, 24,56 milhões de trabalhadores de 15 a 64 anos viviam com o vírus do HIV no mundo em 2005, entre os quais cerca de 67% na África. No continente africano, cinco países tinham ano passado mais de um milhão de trabalhadores soropositivos: a África do Sul, com 3,7 milhões, seguida da Nigéria (1,8 milhão), Moçambique (1,4 milhão), Tanzânia (1,2 milhão) e Zimbábue (1,1 milhão).

Fora a África, somente a Índia (3,9 milhões de trabalhadores soropositivos) ultrapassava a fatídica casa do milhão. A OIT defende a política de priorizar o local de trabalho com ponto de acesso aos tratamentos antiretrovirais para tentar combater a alta incessante do número de pessoas em idade produtiva que morrem em decorrência da Aids.

As próprias empresas se beneficiariam com esta política, que deve ser adotada em parceria com o setor privado, as ONGs e as organizações internacionais, explicaram os autores do relatório. Na realidade, a ausência e a perda da competitividade em razão das licenças de trabalho ou da morte cairiam consideravelmente.

Sem tratamento, um portador do vírus da Aids pode continuar trabalhando durante seis meses, em média, contra 34 meses em média para 4 anos e meio de tratamento, segundo as estimativas da OIT.

O número de perdas de trabalhadores por morte causada pela Aids deve passar de 28 milhões em 2005 a cerca de 86 milhões daqui a 2020, calcula a organização, que prevê 4,5 milhões de mortes de trabalhadores para o ano de 2020 (3,4 milhões em 2005). Nos países mais afetados, a epidemia “mina o processo de construção do capital humano” por suas repercussões nas crianças, alerta o estudo.

Pobreza e Aids tendem na realidade a tirar as crianças da escola porque elas têm de ajudar a família, já que seus pais estão mortos ou doentes. Isto as impede mais tarde de terem acesso a um trabalho decente, destaca a OIT, explicando que as jovens são, desta forma, frequentemente levadas a se prostituirem, agravando ainda mais o risco de contrair a doença e propagá-la. “Um estudo em Uganda em 2004 revelou que 95% das crianças que viviam em locais atingidos pelo HIV estavam trabalhando de uma forma ou de outra”, indica o relatório.

Fonte: Agência France Presse

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