26/01/2007 – 14h30
“Por que as últimas campanhas de TV do Ministério da Saúde no dia 1º de dezembro não tinham uma intérprete de libras (linguagem de sinais para deficientes auditivos)?”, questionou a advogada do Gapa de São Paulo, Fátima Baião. O tema fez parte de uma das oficinas que marcaram a manhã desta sexta-feira (26/01) em Brasília, último dia do Seminário Nacional de Direitos e HIV/Aids. Os participantes também querem se articular para exigir do Ministério da Saúde, a adaptação de postos de saúde do SUS para o atendimento de deficientes físicos.
Segundo o Censo de 2000, pouco mais de 24 milhões de pessoas no País têm algum tipo de deficiência. “Creio ser um número expressivo e o senso comum diz que devemos construir postos de saúde sem rampas para cadeirantes”, reclamou Marta Gil, do Amankay Instituto de Estudos.
Ela lembrou da falta de campanhas nacionais de prevenção para este público, como cartazes e postais em braile, e citou o Programa Municipal de Aids de São Paulo como um exemplo por possuir estratégias para este grupo vulnerável. Ainda lembrou que as pessoas tendem a acreditar que deficientes não possuem vida sexual ativa e que a sociedade os trata como “eternas crianças”.
Maria Aparecida Lemos é deficiente visual há 5 anos e relembrou que os doentes de Aids podem perder a visão em decorrência da doença. “Defendo mais campanhas para as pessoas não aprenderem na prática o que passei, mas sim ter informação para se cuidar”, disse a ativista do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, do núcleo Rio de Janeiro.
Ela ainda quer realizar uma articulação sobre o assunto e divulgou seu e-mail (lemos.cida@yahoo.com.br) para que os interessados entrem em contato para a troca de idéias.
Os participantes querem cobrar do Ministério da Saúde mais ações para que postos de saúde tenham mais acessibilidade. O advogado do GADA (Grupo de Amparo aos Doentes de Aids) em São José do Rio Preto (SP), Neimar dos Santos, disse que a ONG deixou de ser exclusivamente voltada aos portadores do HIV. “Nos unimos com outros integrantes da cidade e fizemos passeata com cerca de 100 pessoas deficientes para que a prefeitura adaptasse melhor a cidade e os serviços de saúde para este público”, contou.
Nesta manhã também foram realizadas oficinas sobre Direitos Humanos e Saúde Mental, Proteção Internacional dos Direitos Humanos, Violência Sexual e HIV/Aids e Trabalhos em rede.
Grupos de Trabalho
Na tarde de quinta-feira (25/01), grupos de trabalho elaboraram propostas para encaminhar ao Programa Nacional de DST/Aids. Entre elas foi relembrado, no grupo GLBTT, a censura realizada pelo CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) contra campanhas em massa do Ministério da Saúde voltadas para homossexuais. A proposta do grupo é que representantes deste público vulnerável integrem o Conselho para eliminar o preconceito.
Já o grupo de adolescente tem como principal que jovens soropositivos integrem as instâncias municipal, estadual e federal dos programas de DST/Aids para elaborarem projetos em prol desse público.
Durante a tarde desta sexta também haverá discussões de grupos regionais e uma plenária de encerramento. O evento pretende apresentar propostas para o Ministério da Saúde sobre Direitos Humanos.
Rodrigo Vasconcellos
A Agência de Notícias da Aids cobre o evento com apoio do Programa Nacional de DST/Aids



