“O vírus mudou muito mais rápido do que o preconceito”: aos 37 anos, Grupo Pela Vidda São Paulo transforma memória em resistência e cinema em luta contra o estigma

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Criado em 1989, em meio aos anos mais duros da epidemia de aids, Grupo Pela Vidda/SP celebra sua trajetória com o encerramento da 14ª Cinema Mostra Aids, no dia 20 de agosto, em São Paulo.

Há histórias que podem ser contadas por datas. Outras precisam ser contadas pelas pessoas que ficaram, pelas que se foram e pelas lutas que permitiram que tantas outras continuassem vivendo. A história do Grupo Pela Vidda São Paulo, que chega aos 37 anos, pertence às duas categorias.

Começa em 1989, em um Brasil em que um diagnóstico de HIV carregava não apenas o medo de uma doença para a qual ainda não existiam os tratamentos disponíveis atualmente, mas também a ameaça do abandono, da discriminação, da perda do trabalho, do afastamento da família e de uma morte cercada por silêncio e preconceito.

Foi nesse cenário que nasceu o Grupo Pela Vidda/SP, fundado por Herbert Daniel e Jorge Beloqui a partir da mobilização de pessoas vivendo com HIV e aids, amigos, familiares e ativistas que se recusavam a aceitar que a epidemia fosse enfrentada apenas pelo medo e pela exclusão. O movimento nasceu defendendo algo que, naquele momento, precisava ser afirmado em voz alta: pessoas vivendo com HIV tinham direitos e deveriam ocupar o centro das decisões que afetavam suas próprias vidas.

O próprio nome carregava essa reivindicação: Grupo pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids — Pela Vidda. Em uma época em que a epidemia era quase sempre associada à morte, o movimento escolheu colocar a vida, a dignidade e a cidadania no centro de sua atuação.

Trinta e sete anos depois, quase tudo mudou na ciência. Existem tratamentos altamente eficazes. A profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) ampliaram as possibilidades de prevenção. E uma das descobertas mais importantes das últimas décadas permitiu afirmar, com segurança, que uma pessoa vivendo com HIV em tratamento e com carga viral indetectável não transmite o vírus sexualmente — o conceito conhecido como Indetectável=Intransmissível (I=I).

Mas nem tudo avançou na mesma velocidade. “O vírus mudou muito mais rapidamente do que o preconceito.” A frase é de Eduardo Barbosa, presidente do Grupo Pela Vidda/SP, e talvez seja uma das formas mais precisas de explicar por que uma organização criada nos primeiros anos da epidemia continua necessária quase quatro décadas depois.

Neste mês, passado e presente se encontram também pela arte. O Pela Vidda celebra os 37 anos no mesmo momento em que São Paulo recebe o encerramento da 14ª Cinema Mostra Aids, projeto criado em 1997 que utiliza o audiovisual como instrumento de informação, reflexão, memória e enfrentamento ao estigma.

Não poderia haver encontro mais simbólico. De um lado, uma organização que atravessou diferentes fases da epidemia. Do outro, uma tela que continua projetando histórias sobre HIV justamente para impedir que pessoas sejam reduzidas a um diagnóstico.

“Aprendemos a transformar o luto em mobilização”

Logo Grupo Pela Vidda

Ao falar sobre os 37 anos do Pela Vidda/SP, Eduardo Barbosa não começa pelas conquistas institucionais. Começa pelas ausências. “Quando olho para os 37 anos do Grupo Pela Vidda/SP, e faço uma ponte entre 1989 e o Brasil de hoje, o que sinto, antes de tudo, é orgulho. Orgulho de uma história de resistência, de solidariedade e de defesa da vida.”

Esse orgulho, porém, carrega memória. “O Pela Vidda nasceu em um período em que falar sobre HIV e aids significava enfrentar não apenas uma doença para a qual ainda não tínhamos os tratamentos de hoje, mas também o medo, o preconceito, o abandono e muitas mortes. Chegar até aqui significou atravessar momentos muito difíceis. Perdemos amigos, companheiros de luta e pessoas que tinham sonhos, projetos e uma vida inteira pela frente. Mas aprendemos a transformar o luto em mobilização.”

Foi dessa transformação que nasceu boa parte do ativismo que ajudaria a mudar a resposta brasileira ao HIV.

Em uma época marcada pela urgência, pessoas vivendo com HIV, ativistas, familiares, amigos e organizações da sociedade civil começaram a ocupar espaços públicos, cobrar respostas do Estado, denunciar violações e reivindicar aquilo que hoje deveria parecer elementar: direito ao tratamento, ao trabalho, ao afeto, à sexualidade, à cidadania e à dignidade.

Para Eduardo, chegar aos 37 anos representa justamente a permanência dessa capacidade de transformar dor em ação coletiva.

“Quando penso nesses 37 anos, penso em uma vitória da vida sobre a morte e do ativismo sobre o silêncio. O Pela Vidda chegou até aqui porque nunca deixou de acreditar que informação, solidariedade, direitos humanos e cidadania também são formas de cuidar da vida.”

Os direitos não “caíram do céu”

Há uma preocupação que atravessa a fala de Eduardo: impedir que a memória da epidemia desapareça justamente quando os avanços científicos tornam possível às novas gerações conhecer um HIV muito diferente daquele enfrentado nos anos 1980 e 1990.

Para ele, lembrar não significa permanecer preso ao passado. Significa compreender como o presente foi construído. “Existe algo daquela época que não pode ser esquecido pelas novas gerações: os direitos e os avanços que temos hoje não caíram do céu. Foram conquistados por pessoas que enfrentaram o preconceito, cobraram o Estado, ocuparam espaços e muitas vezes fizeram isso em meio à dor e à perda.”

Essa memória inclui quem não teve a possibilidade de viver o futuro que a ciência acabaria construindo. “Precisamos lembrar das pessoas que morreram sem ter acesso aos tratamentos que existem hoje. Precisamos lembrar daqueles que foram abandonados, expulsos de casa, perderam empregos e foram tratados como se fossem culpados por viver com HIV.”

Mas Eduardo insiste que a história da aids não pode ser contada apenas pela morte. “Também precisamos lembrar da coragem. Houve pessoas que, mesmo diante do medo, disseram: ‘Nós estamos aqui. Nós temos direitos. Nossas vidas importam.’”

Para ele, apagar essa memória tem consequências. “Uma sociedade que esquece como o preconceito foi construído corre o risco de permitir que ele volte.”

De “paciente” a sujeito de direitos

Se existe uma transformação que Eduardo considera fundamental nesses 37 anos, ela não veio de um laboratório. Veio da mobilização social. “Uma das maiores conquistas da sociedade civil nesses 37 anos foi justamente ajudar a transformar a pessoa vivendo com HIV de alguém visto apenas como paciente em um sujeito de direitos, com voz, autonomia e dignidade.”

O protagonismo das pessoas diretamente afetadas pela epidemia modificou a relação entre sociedade civil, políticas públicas e sistema de saúde. Movimentos passaram a participar dos debates, pressionar governos, denunciar violações e exigir acesso a tecnologias de prevenção e tratamento.

“O movimento social teve um papel fundamental para pressionar o Estado, denunciar violações, ampliar o acesso à prevenção e ao tratamento e defender uma resposta ao HIV baseada nos direitos humanos.”

E Eduardo é categórico: “A resposta brasileira ao HIV foi construída também pela pressão dos movimentos sociais. Sem essa mobilização, muitas conquistas provavelmente teriam acontecido de outra maneira — ou muito mais tarde.”

37 anos depois, uma porta que continua aberta

Se o Pela Vidda nasceu em meio à emergência da epidemia, sua atuação se transformou à medida que novas demandas surgiram. Hoje, o Grupo mantém um trabalho que une acolhimento, informação, defesa de direitos, apoio psicológico, orientação jurídica, rodas de conversa, oficinas, encaminhamentos e ações de prevenção e cidadania, especialmente voltadas às pessoas vivendo e convivendo com HIV e aids e à população LGBTQIA+.

É uma atuação que mostra que o cuidado não termina na entrega de um medicamento.
Quem procura o Pela Vidda pode chegar com uma dúvida sobre HIV, mas também com uma história de discriminação. Pode precisar conhecer seus direitos, encontrar apoio para lidar com o diagnóstico, ser encaminhado para um serviço ou simplesmente encontrar um espaço onde possa falar e ser ouvido sem julgamento.

Ao longo dos anos, o Grupo também ampliou sua atuação para a defesa da diversidade sexual e de gênero e para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Uma das principais expressões desse trabalho é o Centro de Referência LGBTI+ Brunna Valin, administrado pelo Pela Vidda/SP em parceria com o poder público e responsável por uma ampla rede de acolhimento e orientação.

Desde sua criação, o Centro já realizou mais de 170 mil atendimentos, oferecendo suporte psicossocial, jurídico, encaminhamentos e ações de promoção de direitos.

A sede atual do Grupo Pela Vidda/SP fica na Rua 7 de Abril, 252, conjunto 141, na região da República, no centro de São Paulo.

É ali que uma organização nascida quando falar em aids significava conviver diariamente com perdas continua, quase quatro décadas depois, recebendo novas gerações, novas demandas e novas formas de viver com HIV.

A permanência desse trabalho talvez revele uma das contradições mais importantes da epidemia contemporânea: a medicina avançou enormemente, mas acolhimento, informação e defesa de direitos continuam sendo necessários.

Quando a ciência chega, mas o direito não

O desafio de 2026 é diferente daquele encontrado em 1989. Mas isso não significa que seja menor.

Hoje, uma das principais preocupações do Pela Vidda é garantir que tecnologias e conhecimentos que revolucionaram a resposta ao HIV deixem o papel, os protocolos e os serviços especializados e alcancem efetivamente a vida das pessoas.

“Não adianta existir tratamento se uma pessoa tem medo de procurar o serviço de saúde. Não adianta existir PrEP se alguém não consegue acessá-la. Não adianta sabermos que indetectável é intransmissível se uma pessoa vivendo com HIV continua sendo rejeitada por falta de informação.”

É nesse espaço entre aquilo que a ciência já tornou possível e aquilo que a sociedade ainda não conseguiu incorporar que o estigma sobrevive. “A nossa luta hoje não é apenas contra o vírus. É contra o estigma, a desinformação, a violência e todas as formas de exclusão que ainda cercam o HIV.”

O preconceito pode não se apresentar hoje exatamente da mesma maneira que há três décadas, mas continua interferindo na vida afetiva, familiar, profissional e até no acesso à saúde. “Ainda existem pessoas que têm medo de contar que vivem com HIV.

Ainda existe discriminação nos relacionamentos, no trabalho, na família e, infelizmente, até nos serviços de saúde. Ainda existe muita gente que não conhece seus direitos.”

Por isso, diz Eduardo, a principal batalha continua sendo contra o estigma. Mas há outra, inseparável dela: não permitir que a memória da aids desapareça.

Cinema para chegar onde a informação técnica não chega

Talvez seja justamente essa combinação entre memória, informação e transformação social que explique a longevidade do Cinema Mostra Aids.

Criado em 1997, o projeto chega à 14ª edição utilizando filmes para provocar discussões sobre HIV, prevenção, direitos humanos, diversidade, I=I e enfrentamento ao preconceito. O lema desta edição resume a proposta: “Histórias que emocionam, informam e transformam.”

Para Eduardo, o cinema possui uma capacidade que boletins epidemiológicos, campanhas e informações técnicas dificilmente alcançam sozinhos. “Uma campanha pode transmitir uma informação. Um filme pode fazer você acompanhar a história de alguém, sentir sua angústia, sua solidão, seus desejos, seus afetos e suas esperanças. E quando você se identifica com aquela pessoa, o preconceito começa a perder espaço.”

É uma mudança de perspectiva importante. O HIV deixa de ser apresentado apenas por números, medicamentos ou formas de transmissão e volta a ser colocado no lugar em que sempre esteve: dentro da vida de pessoas reais. “O cinema humaniza aquilo que muitas vezes é tratado apenas como estatística.”

E humanizar, para Eduardo, significa mostrar pessoas por inteiro. “Precisamos falar de HIV mostrando pessoas que amam, trabalham, sofrem, têm sonhos, constroem famílias, envelhecem, se apaixonam e seguem suas vidas.”

O Brasil não cabe em uma única narrativa sobre HIV

Em 2026, o Cinema Mostra Aids saiu de São Paulo e percorreu diferentes regiões do país. Recife, Belém, Teresina e Natal receberam sessões e debates antes do encerramento na capital paulista.

A circulação permitiu ao projeto encontrar diferentes realidades, redes locais e formas de falar sobre a epidemia. “As realidades regionais são diferentes. O acesso aos serviços, as redes de apoio, as características culturais e as condições de vida mudam de uma região para outra.”

Mas alguns obstáculos se repetem. “Encontramos questões que atravessam o país inteiro: o preconceito, a desinformação e as dificuldades de acesso aos direitos.”

Ao mesmo tempo, Eduardo destaca outra descoberta feita pelo caminho: a potência existente nos territórios. “Encontramos profissionais, ativistas, artistas e pessoas vivendo com HIV dispostas a conversar e construir novas narrativas.”

Para ele, a itinerância também reafirmou um princípio essencial do trabalho comunitário: chegar não apenas para falar, mas para ouvir.

“É muito importante não chegar a um território simplesmente levando uma mensagem, mas também escutar. Porque o Brasil não cabe em uma única narrativa sobre HIV.”

Na tela, diferentes tempos da epidemia

A sessão de encerramento em São Paulo exibirá três produções de períodos distintos: Eles Contam, de 2008; Deus Tem Aids, de 2021; e Entre Idas e Vindas, de 2026.

Colocadas lado a lado, as obras ajudam a revelar não somente mudanças no cinema, mas transformações profundas na própria maneira de narrar o HIV. “Durante muito tempo, as histórias sobre aids eram marcadas principalmente pela morte, pelo medo e pela urgência. Hoje podemos contar histórias de pessoas vivendo com HIV que estão trabalhando, amando, envelhecendo, formando famílias e fazendo planos para o futuro. Isso é uma mudança enorme.”

A mudança de narrativa acompanha a transformação trazida pelo tratamento. O futuro, antes tão frequentemente ausente das histórias sobre aids, tornou-se possível.

Mas Eduardo chama atenção para aquilo que insiste em atravessar filmes produzidos em épocas tão diferentes. “Existe algo que ainda dói: o estigma.”

“A tecnologia mudou. Os medicamentos mudaram. A ciência mudou. Mas ainda precisamos explicar que uma pessoa vivendo com HIV não é uma ameaça.”

É justamente por isso, diz ele, que continuar narrando essas vidas permanece um ato político. “Não apenas para falar sobre aids, mas para mostrar que, por trás de cada diagnóstico, existe uma pessoa — e que nenhuma pessoa pode ser reduzida ao seu diagnóstico.”

Após as exibições, a programação prevê um debate com público, especialistas e ativistas sobre conquistas históricas da resposta brasileira ao HIV e os desafios ainda existentes para superar o estigma.

Um círculo que não termina

Há ainda outro significado em trazer o encerramento da Mostra para São Paulo justamente no aniversário do Pela Vidda.

O Grupo chega aos 37 anos. O Cinema Mostra Aids acompanha essa trajetória desde 1997. “O Pela Vidda tem 37 anos de história, e a Mostra acompanha boa parte dessa trajetória. São histórias que cresceram juntas.”

Enquanto o cinema registrava diferentes tempos da epidemia, o ativismo ocupava outros cenários. “O Pela Vidda esteve nas ruas, nos espaços de saúde, nos debates e na defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV.”

Por isso, Eduardo descreve o encerramento da itinerância nacional quase como um retorno. “Encerrar essa circulação em São Paulo nesse momento de aniversário é quase como fechar um círculo — mas não um círculo que termina. É um círculo que se renova.”

E completa: “A memória nos trouxe até aqui e a arte nos ajuda a imaginar para onde queremos ir.”

Um Pela Vidda que lute para ser menos necessário

Pela Vidda - Atados | Plataforma de Voluntariado

Quando convidado a imaginar os próximos 37 anos, Eduardo responde com uma aparente contradição que, na verdade, resume o propósito de organizações de direitos humanos: continuar existindo enquanto forem necessárias e, ao mesmo tempo, lutar para que os problemas que justificaram sua criação deixem de existir.

“Gostaria de deixar um Pela Vidda que continue existindo enquanto for necessário, mas que lute para que um dia ele seja menos necessário.”

O futuro que ele imagina começa na forma como uma pessoa poderá receber um diagnóstico de HIV. “Quero imaginar um futuro em que uma pessoa receba um diagnóstico de HIV e pense imediatamente: ‘Eu vou continuar vivendo, vou ter tratamento, vou amar, vou trabalhar, vou fazer planos e ninguém tem o direito de me discriminar.’”

Um futuro em que falar de HIV não provoque vergonha. Em que os avanços científicos sejam acompanhados por avanços sociais. E em que as novas gerações saibam que aquilo que encontram hoje foi construído por quem veio antes.

“Quero que as próximas gerações conheçam essa história. Que saibam que muitas pessoas lutaram para que elas pudessem viver com mais liberdade e dignidade.”

Eduardo não deseja, porém, que o Pela Vidda seja lembrado apenas como uma organização de uma epidemia que um dia existiu.

“Eu gostaria que a nossa história fosse lembrada como a história de uma organização que ajudou o Brasil a compreender que defender a vida, combater o preconceito e lutar pelos direitos humanos são partes da mesma luta.”

“Eu carrego essa memória comigo”

No fim, a história institucional dá lugar à memória pessoal. Eduardo fala como presidente do Pela Vidda, mas também como alguém que viu o tempo passar, acompanhou mudanças que pareciam impossíveis décadas atrás e viveu parte dessa história por dentro.

“Para mim, como ativista LGBTQIA+, essa luta tem uma dimensão muito pessoal. Nós aprendemos, ao longo da nossa história, que ninguém vai garantir a nossa dignidade se nós mesmos não estivermos dispostos a defendê-la.”

Ele fala do envelhecimento não como simples passagem do tempo, mas como conquista. “Tenho orgulho de ser quem sou. Tenho orgulho de ter envelhecido, de ter vivido tantas experiências, de ter conhecido tantas pessoas e de ter atravessado tantos momentos da nossa história. Tenho orgulho, sobretudo, de ter participado desta luta.”

E então retorna àqueles que ficaram pelo caminho. “Se hoje posso olhar para trás e reconhecer tantos avanços, também sei que eles foram construídos por muitas mãos, por muitas vozes e, infelizmente, também por muitas vidas que ficaram pelo caminho. Eu carrego essa memória comigo.”

No próximo dia 20, quando as luzes se apagarem no Centro Cultural da Diversidade e a primeira imagem surgir na tela, essa memória estará ali.

Estará nas histórias daqueles que viveram os anos em que quase não havia respostas. Nas pessoas que transformaram o luto em mobilização. Nos ativistas que recusaram o silêncio. Na geração que conquistou medicamentos e direitos. Nas pessoas que hoje vivem, trabalham, amam, envelhecem e fazem planos com HIV. E também estará naquilo que ainda precisa mudar.

Porque os 37 anos do Grupo Pela Vidda/SP contam uma história de enormes avanços científicos e sociais. Mas contam, sobretudo, uma história sobre a capacidade de pessoas organizadas transformarem a realidade quando se recusam a aceitar que algumas vidas valham menos do que outras.

A ciência conseguiu transformar o HIV. O desafio agora é fazer com que a sociedade avance na mesma velocidade.

E, enquanto isso não acontecer, a memória, o ativismo e histórias projetadas em uma tela continuarão lembrando aquilo que o Pela Vidda decidiu defender desde o início: a vida.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Serviço

14ª Cinema Mostra Aids — encerramento da circulação nacional
20 de agosto de 2026, quinta-feira
Das 17h às 19h30
Centro Cultural da Diversidade – Rua Lopes Neto, 206 — Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Entrada gratuita

 

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