01/03;2014 – 13h30 
Pesquisa realizada pelo Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite, entrevistando 841 infectados com hepatite C, encontrou mais de 60% que possuem plano de saúde e, apesar disso, realizam o tratamento em hospitais públicos.
Segundo Carlos Varaldo, coordenador da pesquisa, os planos de saúde no Brasil não assumem integralmente o cuidado da saúde de seus associados. "O direito de receber os medicamentos necessários ao tratamento, somente acontece dentro da chamada cobertura hospitalar, isto é, se o paciente se encontra internado. Mas se a doença pode ser tratada de forma ambulatorial, em casa, os medicamentos não são fornecidos, devendo o associado arcar com a sua aquisição".
No tratamento da hepatite C é utilizado o interferon peguilado, medicamento de alto custo de uso hospitalar, mas o plano alega que também pode ser aplicado em casa negando o tratamento. Somente aqueles que recorrem a Justiça é que conseguem a devida cobertura.
A pesquisa encontrou números que se repetem em todas as fases da doença Desde o diagnóstico, onde 60% foi resultado de uma consulta particular, ou na realização dos exames de maior complexidade, como o de biologia molecular e biopsia, incluídos na cobertura obrigatória dos planos, comprovou-se que 75% foram realizados por pacientes com planos de saúde ou de forma particular.
Como a realização de tais exames são exigências obrigatórias para receber o tratamento gratuito no sistema público, ficou constatado que o plano de saúde é a porta de entrada no SUS ocupando mais de 60% das vagas dos hospitais especializados no tratamento.
Varaldo afirma que, comprovadamente, existe evidente injustiça num sistema de saúde público que beneficia no acesso a tratamento gratuito os 48 milhões de brasileiros com planos de saúde e prejudica 150 milhões de brasileiros carentes, dependentes, exclusivamente, do SUS que encontram dificuldades para marcar e realizar os exames mais complexos. No tratamento da hepatite C temos atualmente pacientes de primeira e de segunda categoria no referente ao acesso ao tratamento, conclui Varaldo.
Os dados da pesquisa fornecem ao governo elementos para discutir na Agência Nacional de Saúde a obrigatoriedade do tratamento integral da hepatite C na cobertura dos planos de saúde, esvaziando dessa forma os lotados hospitais públicos, abrindo vagas para os 150 milhões de brasileiros carentes.


