O Globo: Próximo a Lula, Padilha leva experiência na articulação para Saúde, mas enfrenta críticas do Centrão

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Médico sanitarista, Alexandre Padilha vai tirar o jaleco do armário ao voltar ao Ministério da Saúde a partir desta segunda-feira. Padilha levará para a nova pasta a experiência de lidar com um Congresso empoderado diante de uma base governista fragilizada.

Nos dois anos em que comandou a articulação política do governo neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula, o médico acumulou desgastes na relação com o Centrão na figura de uma das principais lideranças do bloco, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Apesar de o novo cargo não lhe garantir um distanciamento completo do mundo político, chamou atenção dos últimos no Palácio do Planalto o semblante alegre de Padilha. Para integrantes do governo, era um sinal diante de alívio por deixar um cargo em que, como ele mesmo repetia, precisava quase diariamente “deixar o fígado na geladeira”. Lira rompeu relações com o chefe da articulação política na virada de 2023 para 2024 e chegou a chamá-lo publicamente de “incompetente” e “desafeto”.

Durante o período na Secretaria de Relações Institucionais, Padilha conseguiu aprovar pautas econômicas, como a Reforma Tributária, mas também teve derrotas em assuntos em que não havia convergência com partidos de centro, como a derrubada do veto ao marco temporal para terras indígenas.

Aos 53 anos, Padilha tem uma relação próxima com Lula. Durante a pandemia da Covid-19, costumava acompanhar o líder petista quando ele ia ao posto de saúde se vacinar. O médico, formado pela Unicamp, entrou no PT na época do movimento estudantil. Morou em Santarém, no Pará, no começo dos anos 2000, quando coordenou um programa da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre doenças tropicais.

A sua primeira passagem pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2014, no governo Dilma Rousseff, foi marcada pelo lançamento do Mais Médicos, que previa a contratação de profissionais para atuar em cidades do interior do país. O programa se tornou uma vitrine do PT, apesar de ter enfrentado críticas de entidades de classe principalmente por causa da contratação de médicos cubanos.

Na época, Padilha também criou incentivos para a abertura de novos cursos de medicina, outra iniciativa q atacada por entidades que questionaram a falta de controle de qualidade na formação dos profissionais.

O médico deixou o cargo no começo de 2014 para se candidatar ao governo de São Paulo, mas ficou apenas em terceiro lugar. O vencedor daquela disputa foi o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin, na época no PSDB.
Durante a gestão de Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo (2013-2016), Padilha também comandou as secretarias de Saúde e de Relações Institucionais. Foi eleito deputado em 2018 e reeleito em 2022.

Com a vitória na disputa presidencial de 2022, Lula optou por repetir na articulação política a configuração com que encerrou o seu segundo mandato em 2010 e colocou Padilha novamente na SRI. O cenário político encontrado em Brasília, porém, estava bastante diferente.

Mas mesmo diante do desgaste enfrentado na SRI, o presidente decidiu manter o aliado fiel por perto e o transferiu para o lugar de Nísia Trindade na Saúde, num movimento igual ao que Dilma havia feito em 2011.

Na época, Lula não gostou da decisão de sua sucessora. Em 2018, em entrevista ao livro “A verdade vencerá: O Povo Sabe porque me condenam”, o líder petista disse que “não queria que Padilha fosse o ministro da Saúde” de Dilma porque achava que ele deveria continuar na articulação política.

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