O Globo: Preocupadas com ISTs e violência durante a COP, prostitutas de Belém se reúnem com poder público

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Prostitutas de Belém estão preocupadas com a transmissão de infecções sexualmentes transmissíveis (IST) e o aumento de casos de violência contra mulher durante a COP30, quando a capital paraense receberá delegações de todo o mundo.

Desde agosto, organizações de mulheres, entre elas o Coletivo Coisa de Puta+, passaram a dialogar com o poder público para tratar de questões de saúde e segurança em meio ao evento climático.

Os grupos chegaram a se reunir com representantes de secretarias municipais e da delegacia da mulher de Belém para levar suas reivindicações. As profissionais do sexo cobram, por exemplo, efetivo maior de agentes em rotas próximas a boates e casas de show, além de ponto qualificado de escuta.

O temor é que, com as forças de segurança voltadas ao evento, aumentem casos de assédio e violência contra mulheres, num período em que o movimento em cabarés tende a crescer. A meses da COP30, prostitutas relatam que foram feitos contatos por visitantes interessados no turismo sexual. Alguns inclusive com exigências sobre o perfil físico, com características do esteréotipo de mulheres da região.

Em paralelo, existe um receio quanto à disseminação de infecções, assunto que vem sendo tratado em oficinas a profissionais do sexo nos últimos meses.

Segundo Maria Elias, fundadora do coletivo Coisa de Puta+, foi feito um apelo para que sejam feitas vistorias e estímulo à vacinação contra essas infecções e à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), método de preveção do HIV. Outra demanda é o combate à prostituição de jovens e adolescentes.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) disse que, em parceria com Secretaria Extraordinária para a COP30, conduz um planejamento administrativo e operacional voltado à garantia da segurança e da ordem pública durante os eventos principais e paralelos da conferência, em Belém.

A pasta afirmou que entre, 1º e 25 de novembro, cerca de 10 mil agentes e mais de 700 viaturas estarão mobilizados em ações que abrangem pontos turísticos, locais de eventos, casas noturnas e espaços de entretenimento, com foco na prevenção de crimes e na proteção de grupos vulneráveis.

Já a Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa), disse que desenvolve ações contínuas de prevenção e cuidado voltadas a populações-chave, incluindo profissionais do sexo.

Entre as estratégias estão a ampliação do acesso à Profilaxia Pré e Pós-Exposição (PrEP e PEP) ao HIV, testagem rápida para aids e outras ISTs, distribuição de preservativos e gel lubrificante, além de oficinas e rodas de conversa voltadas à prevenção e redução de vulnerabilidades.

A pasta afirmou ainda que mantém diálogo com a sociedade civil, participando de comitês e fóruns que contribuem para o mapeamento de vulnerabilidades e a construção de políticas públicas inclusivas. Entre os projetos em andamento, está o “Prevenção Pai d’égua”, que amplia o acesso das profissionais do sexo à PrEP.

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