O Globo: Como falar de sexo com seu filho? Especialistas elencam 6 maneiras de conversar sobre o assunto sem constrangimentos

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Os pais têm um papel importante no ensino sobre sexo e relacionamentos. Mas nosso novo relatório mostra que muitos deles – especialmente os homens – acham essa tarefa constrangedora.

Nossa pesquisa nacional, realizada com 1.918 pais, mostra que eles se sentem mais confiantes em conversar com os filhos sobre imagem corporal (45%) e puberdade (38%), e menos confiantes em abordar masturbação (12%) ou satisfação sexual (13%).

As mães têm mais probabilidade do que os pais de iniciar conversas sobre sexo (32,3% contra 23,9%).

Nossa pesquisa confirma que as maiores barreiras para falar sobre sexo com os filhos são o desconforto deles ou a recusa em participar da conversa. Mas os pais também se sentem desconfortáveis, com medo de dizer a coisa errada ou de não saber como começar o diálogo.

No entanto, se o adolescente percebe que pode ter conversas sem julgamentos com os pais sobre sexo, é provável que compartilhe o que está acontecendo em sua vida, faça perguntas e busque ajuda quando precisar.

Aqui estão algumas formas de iniciar essas conversas, mesmo que você se sinta constrangido.

Nossas principais dicas para falar sobre sexo:

1. Comece quando as crianças ainda são pequenas

“A conversa sobre sexo” não deve ser um único diálogo. O ideal é abrir espaço para um diálogo contínuo, adequado à idade, sobre questões relacionadas ao corpo, à reprodução e à puberdade desde cedo. Mesmo crianças com menos de cinco anos devem aprender sobre seus corpos e o básico da reprodução.

Começar cedo facilita continuar o diálogo na adolescência. Mas nunca é tarde demais: em qualquer idade, as crianças se beneficiam quando os pais se envolvem nesses temas.

2. Aproveite oportunidades do dia a dia para fazer perguntas

Televisão, filmes e rádio falam de sexo e relacionamentos o tempo todo. Por exemplo, questões como jovens assistindo pornografia ou o impacto das redes sociais são noticiadas frequentemente. Use essas situações para perguntar aos adolescentes o que eles entendem, sabem ou pensam. Mostre interesse na opinião deles e questione como essas representações se relacionam com suas experiências ou as de seus amigos.

A conversa não precisa ter uma mensagem final ou conclusão específica. O objetivo é apenas falar e ouvir.

3. Evite começar com proibições

Dizer a um jovem para não fazer sexo ou não assistir pornografia dificilmente vai impedi-lo — e pode até fechar as portas para futuras conversas. Muitos adolescentes tornam-se sexualmente ativos entre os 15 e 17 anos, e a maioria já viu pornografia ao menos uma vez nessa idade.

O melhor que podemos fazer é apoiá-los para pensar de forma crítica sobre o que precisam para se manter seguros. Mostre que você pode ajudar, por exemplo, a encontrar um bom médico caso precisem de orientação sobre contracepção ou saúde sexual.

4. Compartilhe histórias pessoais

Embora nem sempre os jovens gostem de ser lembrados de que seus pais também já foram adolescentes, eles podem se interessar por uma história sobre o primeiro relacionamento, o primeiro beijo ou um encontro constrangedor. Mostrar sua própria vulnerabilidade pode abrir espaço para o diálogo.

Se você não se sentir à vontade para falar de experiências pessoais, pode compartilhar histórias lidas ou ouvidas no noticiário.

5. Reconheça seu constrangimento

É difícil abordar assuntos íntimos ou embaraçosos. Para alguns, até pronunciar a palavra “masturbação” já é desconfortável — imagina conversar sobre isso com filhos ou adolescentes.

Levar a situação com leveza e rir da própria falta de jeito pode ajudar a quebrar o gelo tanto para você quanto para eles.

6. Informe-se e pratique

A maioria de nós não tem muita experiência em falar abertamente sobre sexo e relacionamentos. Pesquise sobre os temas que deseja abordar e pratique conversando com seu parceiro(a) ou amigo(a).

O objetivo é se sentir mais confortável ao falar de assuntos pouco discutidos. Você não precisa ser um especialista, só precisa tentar.

Falar sobre sexo vai incentivar meu filho a fazê-lo?

Muitas vezes, os pais ouvem que devem ser “positivos em relação ao sexo” ao conversar com adolescentes. Isso não significa evitar falar sobre riscos e responsabilidades. Significa, sim, adotar a perspectiva de que, nas circunstâncias certas, o sexo pode ser uma parte segura, prazerosa e positiva da vida de um jovem.

Conversar sobre sexo não vai incentivar um adolescente a praticá-lo antes de estar pronto.

Ensinar sobre consentimento sexual passa também por valorizar o prazer. Se uma pessoa entende e consegue expressar o que gosta e deseja, estará em melhor posição para afirmar o que não quer. Os jovens devem ser encorajados a prestar atenção no que eles — e seus parceiros — apreciam e valorizam em relação ao sexo.

As mensagens de saúde sexual para adolescentes costumam focar em perigos e consequências negativas. Mas é importante lembrar que a educação sexual também deve prepará-los para viver experiências seguras e prazerosas quando estiverem prontos. Os pais têm papel fundamental em transmitir essa mensagem.

*Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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