6/2/2007 – 10h
O jornal O Globo desta terça, 6, traz como destaque a polêmica do cartaz “Proteção para Você”. Conforme noticiou a Agência de Notícias da Aids na semana passada, o ativista José Araújo de Lima, presidente da AFXB Brasil (Association François-Xavier Bagnoud), ameaçou entrar com processo na justiça contra o Programa Nacional de DST/Aids. Segundo ele, o material, voltado para bares, pode incentivar o consumo do álcool (saiba mais). Na publicação carioca, Desiré Callegari, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, diz que a mensagem do banner é semelhante às propagandas de cerveja e estimula o consumo da bebida. Leia a matéria na íntegra.
CAMPANHA DE PREVENÇÃO À AIDS QUE ASSOCIA CAMISINHA À CERVEJA É CRITICADA
Para estimular o uso da camisinha neste verão, e também no carnaval, o Ministério da Saúde recorreu às bebidas alcoólicas. O cartaz da campanha de prevenção à Aids usa uma imagem de cerveja, e associa o uso do preservativo ao recipiente de isopor oferecido nos bares para evitar que a bebida esquente. “Proteção para a cerveja, proteção para você”, afirma a peça publicitária, que já começou a receber críticas de entidades que combatem a propaganda do álcool.
As letras do cartaz aparecem trêmulas, para ser associada à imagem do bêbado. Em letras miúdas, a mensagem alerta: “Beba com moderação, mas use camisinha à vontade”. Desiré Callegari, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, diz que a mensagem é semelhante às propagandas de cerveja e estimula o consumo da bebida.
— É uma demonstração da falta de uma política pública de prevenção ao uso do álcool e a desorientação do governo federal nessa área. A indústria da bebida está sendo beneficiada com uma propaganda financiada com recursos públicos.
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad), diz que, com essa propaganda, o governo banaliza o consumo do álcool justamente num período em que as pessoas abusam das bebidas alcoólicas.
— O brasileiro não consome cerveja e outras bebidas culturalmente com moderação. Metade das pessoas que bebem no país o fazem de forma abusiva.
A diretora do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, afirmou que a campanha foi destinada para os consumidores de álcool. Em nota, ela disse que a campanha não estimula o consumo de bebidas alcoólicas porque o público-alvo, que freqüenta os bares, já consome cerveja.
Mariângela disse que o intuito é não ignorar uma “situação concreta e muito real”.
Fonte: jornal O Globo



