O Globo: Após uso de agulhas compartilhadas, escola no Recreio recebe equipe de saúde; entenda o caso

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Visita está prevista para esta segunda-feira, entre 11h às 14h, sem testagem ou aplicação de medicamentos; pelo menos 23 pessoas procuraram hospitais depois de feira de ciências

A unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, recebe nesta segunda-feira uma equipe do Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho para orientar estudantes e responsáveis após o compartilhamento de lancetas em testes de glicose durante uma feira de ciências. A visita está prevista para ocorrer das 11h às 14h. Até o fim da tarde de domingo, pelo menos 23 pessoas haviam procurado hospitais para tratamento profilático: 20 foram atendidas no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e outras três na rede particular, segundo a escola.

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Durante a atividade, realizada no sábado, uma aluna usou a mesma lanceta — instrumento que perfura o dedo para coletar sangue — em até três pessoas. Quase todos os participantes eram crianças, mas pelo menos um adulto também passou pelo procedimento, conforme relatos de pais confirmados pela instituição.

Segundo comunicado divulgado pela escola neste domingo, os profissionais de saúde vão esclarecer dúvidas e ajudar a identificar participantes dos testes que ainda não procuraram atendimento. Não haverá testagem nem administração de medicamentos no colégio. Caso seja identificado alguém que ainda não tenha sido testado, a família será avisada e orientada a procurar o centro municipal de saúde da região ou o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Lourenço Jorge.

A escola reforçou que quem teve o dedo furado no estande sobre diabete deve procurar uma unidade de saúde imediatamente, sem esperar pela visita da equipe. Também ressaltou que as orientações médicas recebidas durante o atendimento devem ser cumpridas independentemente do resultado dos testes.

Infectologista atenderá na quinta-feira
A instituição anunciou a contratação da infectologista pediátrica Patrícia Guttman para acompanhar alunos e responsáveis. Os atendimentos na escola serão realizados mediante agendamento, nesta quinta-feira, dia 17, a partir das 14h30.

O vice-diretor-geral do Tamandaré, Antonio Henrique, afirmou que a Vigilância Sanitária da prefeitura foi acionada no próprio sábado:

“Acionamos a Vigilância Sanitária da prefeitura no próprio sábado, que nos orientou como proceder. E nesta segunda-feira, equipes vão estar na escola tirando dúvidas e identificando se outras pessoas vão precisar fazer o tratamento.”

A psicóloga do colégio também está disponível para consultas presenciais ou por vídeo. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (21) 3392-5120 ou pelo e-mail direcao.recreioii@tamandare.com.

Escola afirma que havia proibido testes
Segundo o vice-diretor, a feira vinha sendo planejada desde o retorno às aulas, em agosto. Os responsáveis pela estudante, que tem entre 12 e 13 anos, teriam sido orientados de que o aparelho poderia apenas ser exibido, sem testes em pessoas.

Antonio Henrique disse que a mãe da aluna tomou como base uma recomendação do fabricante para testes individuais que, segundo ele, permite usar a mesma agulha três vezes. O colégio reconheceu, em comunicado, que o material é de uso individual e que o compartilhamento motivou o alerta às famílias.

A instituição afirma que as medições começaram perto do fim do evento, sem autorização, e que nenhum professor, coordenador ou funcionário orientou, ou acompanhou os procedimentos. Segundo o vice-diretor, as atividades eram monitoradas, mas a situação não foi percebida de imediato porque havia cerca de 3 mil pessoas na escola.

Um pai que alertou a direção contou ter estranhado a cena:

“Minha filha ficou com medo de ser furada e não participou. Cheguei no fim do evento. A primeira coisa que me chamou a atenção era uma criança furando outras crianças. E ainda mais numa época em que há tantos cuidados em relação a equipamentos esterilizados. Ouvi uma senhora reclamando que não trocava a agulha.”

A escola diz ter interrompido a atividade assim que a equipe percebeu o uso do instrumento. O aparelho e a caixa de lancetas foram recolhidos, e a responsável pela estudante foi orientada sobre a gravidade do ocorrido.

Hospital diz que mantém estoque de profilaxia
A mãe de uma criança de 12 anos relatou que precisou aguardar a chegada de medicamentos de outra unidade durante o atendimento no Lourenço Jorge. Em nota, a direção do hospital afirmou que havia estoque de profilaxia pós-exposição para os atendimentos relacionados ao caso e a unidade permanece abastecida.

“Nenhuma pessoa que buscou atendimento ficou sem a profilaxia indicada”, informou o hospital, que acrescentou estar preparado para receber novos pacientes.

A Secretaria municipal de Saúde afirmou que todos os que precisavam de medicação foram atendidos dentro do período de 72 horas preconizado para a profilaxia.

Investigação
A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira, que o caso foi registrado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). De acordo com a corporação, testemunhas serão ouvidas e demais diligências estão em andamento para apurar os fatos.

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