O adeus à Preta Gil, artista que cantou o amor e lutou contra todos os silêncios

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Morreu neste domingo, 20 de julho de 2025, aos 50 anos, a cantora, atriz e apresentadora Preta Gil, após uma longa e corajosa batalha contra um câncer no intestino. A notícia foi confirmada por sua família e gerou comoção em todo o país. Filha do cantor Gilberto Gil, Preta construiu uma carreira marcada não apenas pelo talento artístico, mas também pelo ativismo social, o enfrentamento ao preconceito e a defesa das pessoas marginalizadas.

Preta Gil foi uma mulher à frente do seu tempo. Com coragem, usou sua imagem e sua voz para defender a diversidade, os direitos da população LGBTI+, o combate ao racismo e à gordofobia. Seu legado também se estende à luta contra a Aids — uma pauta que ela abraçou com emoção e compromisso ao longo de sua trajetória.

“Essa geração esqueceu que a doença existe”, declarou, em uma entrevista ao Observatório da TV, ao lembrar das perdas que viveu em sua juventude devido à epidemia de HIV/aids. Preta sempre se posicionou contra o estigma que cerca o HIV, denunciando o silêncio social e a negligência com que a questão era tratada por novas gerações. Em outra ocasião, ela posou para uma importante campanha da amfAR — a Fundação Americana para a Pesquisa da Aids — emprestando sua imagem à causa e reforçando a importância da prevenção, do acolhimento e da solidariedade às pessoas que vivem com HIV.

Sua postura inspiradora foi lembrada neste domingo por ativistas e lideranças sociais. “Preta foi uma grande defensora dos direitos LGBTI+, uma pessoa que lutou com muita categoria, classe e coragem por uma sociedade mais justa, antirracista e livre da gordofobia”, escreveu Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBTI+. “Sua trajetória de vida foi marcada por momentos inspiradores. Que a memória de Preta Gil inspire muitas gerações a seguir lutando por um mundo mais igualitário e cheio de amor.”

A trajetória

Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974. Filha do cantor Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, cresceu em meio à música e à efervescência cultural brasileira. Lançou seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter, em 2003, iniciando uma carreira marcada pela ousadia, diversidade e conexão com o público. Ao longo dos anos, lançou diversos discos, apresentou programas de televisão, atuou em filmes e novelas, e criou um dos blocos mais populares do carnaval carioca: o Bloco da Preta.

Muito além dos palcos, Preta Gil se consolidou como uma das vozes mais autênticas do ativismo no Brasil. Defensora dos direitos LGBTI+, do combate ao racismo, à gordofobia e ao estigma em torno da Aids, ela fez de sua vida pública uma plataforma de luta por inclusão, respeito e afeto. Participou de campanhas nacionais e internacionais de prevenção ao HIV, sempre com sensibilidade e coragem, denunciando o esquecimento social sobre a epidemia e defendendo o cuidado com quem vive com o vírus.

Sua trajetória inspiradora uniu arte, militância e empatia — fazendo de Preta Gil uma referência de força, liberdade e amor-próprio para milhões de pessoas no Brasil e no mundo.

Preta Gil deixa um legado de arte, resistência e afeto. Sua partida abre um vazio profundo, mas também acende uma chama coletiva de luta, memória e transformação. Que sua luz continue iluminando os caminhos daqueles e daquelas que acreditam em um Brasil mais justo, inclusivo e sem estigmas.

#pretagil, presente!

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