O adeus a Dra. Vilma Peramezza, parceira da Agência Aids comprometida com responsabilidade social e sempre solidária às pessoas vivendo com HIV/aids

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Morreu na manha desta quinta-feira (9), em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, a advogada Vilma Peramezza, de 83 anos. Ela foi encontrada sem vida na sala de sua casa. Segundo informações preliminares, a causa da morte foi um infarto. Como gestora e parceira da luta contra aids, ela deixou um legado de responsabilidade social que inspira gerações.

Sempre disposta a contribuir com o crescimento de quem chegasse até ela e solicitasse algum tipo de ajuda, de apoio. Competente, oferecia condições de trabalho e cobrava resultados de sua equipe. Absolutamente solidária, empática e amiga, culta, leitora contumaz de livros e jornais, boa de prosa, dotada de sensibilidade e inteligência inconfundíveis.

A trajetória

Vilma Peramezza nasceu em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, e desde cedo demonstrou ter uma personalidade vibrante e comprometida com o bem-estar das pessoas e reorganização de espaços comunitários. Passou a infância na cidade natal, onde as brincadeiras simples e a convivência com familiares e vizinhos ajudaram a moldar seu senso de coletividade e empatia. Mais tarde, Vilma mudou-se para São Paulo, com a família onde construiu uma trajetória notável, não apenas no âmbito profissional, mas também no campo da responsabilidade social e respeito ao meio ambiente.

Formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Vilma desenvolveu uma carreira de destaque. Conhecida por muito tempo como a “Prefeita do Conjunto Nacional”, um dos edifícios mais emblemáticos da Avenida Paulista, Vilma liderou diversas iniciativas que buscaram humanizar e transformar o espaço em um centro de convivência, cultura e integração social.

Uma de suas principais contribuições foi implantar a Coleta Seletiva no prédio, projeto pioneiro na cidade de São Paulo. A criação de ações que incentivaram a leitura, a sustentabilidade e o engajamento comunitário também tiveram sua assinatura. Vilma organizou campanhas para a doação de livros e estimulou ações de conscientização ambiental, sempre com foco na inclusão e na valorização das pessoas em situação de vulnerabilidade.

Seu trabalho no Conjunto Nacional tornou o local não apenas um ponto de referência cultural, mas também um símbolo de acolhimento e solidariedade. Enquanto outras empresas engatinhavam no quesito responsabilidade social, com seu incentivo, visão humanista e entusiasmo, os colaboradores mais simples do Condomínio tinham aulas de alfabetização, respeito e acolhimento.

O “Natal Nacional” com enfeites produzidos com materiais reciclados sempre renderam reportagens e muitas fotos de turistas e pessoas que frequentavam a região por conta das comemorações de final de ano.

Parceira de luta

No quesito da Luta Contra Aids, Vilma atuou na vanguarda, abrindo espaços no próprio Conjunto Nacional para atividades culturais sobre a temática, incluindo exposições, mesas redondas e rodas de conversa. Por mais de 15 anos, apoiou a realização e viabilizou a criação do “Camarote Solidário”, iniciativa desta Agência que começou no Mezanino do Conjunto Nacional, já arrecadou e distribuiu mais de 30 toneladas de alimentos a ONGs que trabalham com pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade social. O Camarote tornou-se uma tradição, na Parada do Orgulho LGBTIA+ de Sao Paulo.

Inovando mais uma vez, em sua gestão, Vilma inclusive abriu espaços no Conjunto Nacional para que a equipe da prefeitura de São Paulo pudesse montar uma estrutura fora dos serviços de saúde e oferecer testagem rápida de HIV. Da mesma maneira acolheu e incentivou o Instituto Cultural Barong que, por muitos anos, realizou ações de prevenção no térreo do Condomínio.

Sua atuação lhe rendeu a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Câmara Municipal de São Paulo. As honrarias são concedidas a pessoas com ações ou trabalhos prestados em prol dos cidadãos paulistanos, contribuindo com o desenvolvimento da cidade. A concessão é feita por meio de decreto legislativo, aprovado por ao menos dois terços dos vereadores.

Vilma teceu e deixa um legado bonito de construção e cidadania, de amizade e empatia, de ações inovadoras seja na gestão de um prédio emblemático na cidade de São Paulo como em sua cidade natal ao resgatar a memória e trabalho do compositor João Pacífico, ao fundar o Centro Cultural que levou seu nome.

Amigos e familiares poderão se despedir de Vilma nesta sexta-feira (10), a partir das 8h, no Velório Municipal de Cordeirópolis. O sepultamento ocorrerá às 13h, no Cemitério Municipal de Cordeirópolis.

#vilma,presente!

Redação da Agência de Notícias da Aids

Apoios