O adeus à Ana Carolina dos Santos, ativista e fundadora da Rede Jovem RIO+

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Morreu nesta segunda-feira, 21 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, Ana Carolina dos Santos Menezes, de 32 anos, uma das fundadoras da Rede Jovem RIO+ e uma das primeiras jovens a se articular politicamente no estado do Rio como parte da geração que vive com HIV desde o nascimento, por transmissão vertical. Mulher preta, carioca e militante, Ana Carolina dedicou grande parte da sua vida à luta por visibilidade, cuidado e dignidade para adolescentes e jovens vivendo com HIV/aids no Brasil.

Sua trajetória no ativismo começou ainda na adolescência. Em 2006, participou do primeiro Vivendinho, um encontro nacional que reuniu jovens vivendo com HIV/aids de diferentes partes do país. O evento se tornou um marco para toda uma geração, ao oferecer espaços de reconhecimento, troca de experiências e fortalecimento coletivo.

Três anos depois, em 2009, Ana Carolina esteve à frente da criação da REAJVHA-RJ (Rede de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids do Rio de Janeiro), formada por jovens que, após o IV Encontro Nacional em Curitiba, decidiram fundar um espaço próprio no Rio de Janeiro. A rede tinha como objetivo combater o isolamento, o estigma e a invisibilidade enfrentados por jovens que, como Ana Carolina, cresceram vivendo com o HIV.

A REAJVHA-RJ deu origem à atual Rede Jovem RIO+, referência nacional no acolhimento entre pares, no enfrentamento ao preconceito e na promoção de políticas públicas voltadas à juventude HIV+. Ao longo dos anos, Ana Carolina se manteve presente em diversas ações de mobilização, formação e incidência política.

A morte de Ana Carolina expõe, mais uma vez, os desafios enfrentados por jovens de transmissão vertical do HIV, especialmente no que diz respeito à saúde mental e à continuidade do cuidado. Mesmo com avanços no tratamento e na prevenção, o acesso integral à saúde e o apoio emocional permanecem frágeis, sobretudo para juventudes negras e periféricas.

A Rede Jovem RIO+ divulgou uma nota lamentando a morte de sua cofundadora e denunciando o que chamou de “descaso histórico”. “Mesmo com tantas pesquisas e relatos, jovens de transmissão vertical seguem invisíveis, sem apoio e sem acesso digno à saúde mental”, diz o comunicado. “Deixamos aqui não só a dor dessa perda, mas também a revolta e o convite à reflexão: que essa história não seja esquecida e que nossa luta continue viva.”

Ana Carolina faleceu sem realizar o sonho de ver reconhecida e protegida a geração que cresceu com HIV no corpo e no cotidiano. Sua ausência deixa um vazio profundo, mas também uma memória viva de resistência e construção coletiva.

O velório será nesta terça-feira (22), a partir das 13h15, na Capela Reviver – Sala D, no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju, Rio de Janeiro. O sepultamento está marcado para 16h15.

#AnaCarolina, presente!

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