27/08/2014
O Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais realizou a 119ª Reunião da Comissão Nacional de AIDS, DST e Hepatites Virais (Cnaids) em Brasília nessa terça-feira (26). O destaque da pauta ficou por conta da 20ª Conferência Internacional de Aids, em Melbourne (Austrália), ocorrida no mês anterior, assim como o Novo Protocolo de Diretrizes Terapêuticas para Hepatites (PCDT), que será colocado em consulta pública em breve.
Os números do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), recentemente divulgados, também foram abordados na reunião pelo diretor Fábio Mesquita. Ele mostrou o cenário mundial e como a epidemia tem se reafirmado no Brasil como concentrada em populações-chave (pessoas que usam drogas, gays, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis e transexuais).
“No Brasil, a epidemia cresceu 11% em população-chave, o que é uma tendência mundial. Dois exemplos desse cenário são Bélgica e Austrália, que não passaram por uma primeira onda da epidemia, mas agora têm epidemias concentradas em homens que fazem sexo com homens e homens gays.”
Outro ponto da pauta foi a agenda pós 2015. Tatianna Meirelles, consultora técnica de cooperação internacional do Departamento, apresentou os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O objetivo das metas é alcançar aquelas prioritárias e sintetizar as prioridades econômicas, sociais e ambientais”, explicou. Ao total, 17 objetivos serão apresentados na próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Entre os objetivos, está o fim do caráter epidêmico de aids, tuberculose, malária e doenças tropicais, além do combate às hepatites, às doenças transmitidas pela água e outras transmissíveis.
Na segunda parte da reunião, a assessora de cooperação internacional, Cristina Raposo, apresentou os destaques da conferência de aids em Melbourne. Os novos desafios para o enfrentamento da epidemia no mundo, segundo conferencistas, são ampliação do exame de carga viral, aumentar o acesso tratamento antirretroviral (TARV) pediátrico e combater o estigma e a discriminação. “O Brasil se destacou por ter políticas de enfrentamento entre as mais inovadoras. O que foi recomendado por pesquisadores renomados, o Brasil já faz”, afirmou Cristina ao citar o tratamento como prevenção (TASP, em inglês); o foco das ações de prevenção nas populações-chave; as metas defendidas pelo país no Foro Latino-Americano e do Caribe conhecida como 90-90-90 (90% de pessoas com conhecimento do seu estado sorológico; 90% das pessoas HIV+ em tratamento; 90% das pessoas em tratamento com carga viral indetectável).
Na parte de hepatites, o coordenador-geral de hepatites virais, Marcelo Naveira, falou das mudanças no Novo PCDT, que entrará em breve em consulta pública. Entre as mudanças, estão os medicamentos sem Interferon para as hepatites C e a imunização da família em caso de diagnóstico positivo para tipo B.
A reunião foi finalizada com a apresentação do Fundo PositHiVo. Os consultores Harley Henriques e Cristina Câmara falaram da importância de recursos independentes para as organizações da sociedade civil por meio de captação de recursos dentro do Brasil para as OSCs de aids e hepatites virais, incluindo recursos oriundos da iniciativa privada.



