Novo papel do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) é debatido em encontro com representantes de 50 cidades de SP

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15/10/2014 -22h30

Qual é o papel atual do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) na linha de cuidado de HIV/aids, DSTs e hepatites virais? Ele está estruturado para dispensar a profilaxia pós-exposição (PEP)? E, no futuro, como será com a profilaxia pré-exposição (PrEP)? Questões como estas estão sendo debatidas, nessas quarta e quinta-feiras (15 e 16), por 160 pessoas de 50 municípios do estado de São Paulo. Elas participam do 4º Encontro de CTA do Estado, num hotel no centro da capital paulista.

Estão reunidos coordenadores, interlocutores de GVEs (Grupo de Vigilância Epidemiológica) e outros gestores das cidades que apresentam maior número de casos das doenças.

“Esse debate está contribuindo para a definição de novos rumos na política de saúde no estado”, disse a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Clara Gianna. "Após 30 anos de epidemia, estamos diante de novas necessidades e desafios. As estratégias no campo da aids sempre foram construídas coletivamente. Essa é nossa marca registrada."

Além das PEP e PrEP, o trabalho de prevenção junto às populações mais vulneráveis, avaliação de risco, encaminhamento de pacientes e capacidade estrutural e de recursos humanos dos centros são assuntos de destaque do encontro.

Karina Wolffenbuttel, pesquisadora do CRT e coordenadora da campanha Fique Sabendo, mostrou a evolução do CTA desde os anos 90. Ela destacou que ele sempre foi a porta de entrada para a prevenção e os cuidados assistenciais.

“No início, não havia tratamento e o sentimento de impotência dominava os profissionais. O cardápio de ofertas aos usuários era reduzido a teste, informação, camisinha, apoio”, disse Karina.

De 2000 a 2007, o CTA foi ampliado e passou a atender, além de HIV, casos de sífilis e hepatites B e C, informu Karina. A camisinha feminina entrou para a prevenção, assim como o gel lubrificante, o kit de redução de danos para usuários de drogas, as vacinas para hepatite B e os tratamentos de DSTs.

“Foram anos em que houve mais investimento nas práticas de aconselhamento pré e pós-teste de HIV e diminuíram as atividades extramuros de prevenção, que era um dos focos nos anos 90”, continuou a coordenadora.

O período entre 2007 e 2014 é marcado por eventos como a implantação dos testes rápidos, o plano de ampliação do diagnóstico de HIV, o investimento na descentralização da testagem rápida para a atenção básica e o início da implantação da PEP sexual.

A PEP sexual foi o tema de duas apresentações: de Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids, e da infectologista Denise Lotufo, gerente da Assistência do CRT.

Artur explicou como funciona o tratamento. “Quem considera que se expôs a um risco de infecção procura o serviço de saúde o mais rápido possível: em, no máximo, 72 horas. Constatado o risco, a pessoa toma antirretrovirais por 28 dias e, depois, faz acompanhamento por seis meses, com testes para HIV, sífilis e hepatites”, explicou o médico.

Sem preconceito

Denise começou falando sobre a importância de se ver a PEP como mais um recurso a que todos têm direito e não ter preconceitos com relação ao método. “No começo, também havia o preconceito com o teste rápido”, disse ela. “Felizmente, nós que somos da turma da aids temos o privilégio de poder mudar de opinião.”

A médica destacou que quem trabalha na linha de frente, atendendo pacientes, sabe da necessidade de ampliar o leque da prevenção. “Só camisinha não está resolvendo. A PEP existe desde 2066 mas só em 2010 ficou claro que tínhamos de oferecê-la aos pacientes e, a partir de 2012, ela foi incluída nos Fóruns Regionais de Prevenção.”

Apesar da constatação da necessidade da PEP, o consenso entre palestrantes e participantes é de que ainda é baixo o número de pessoas que acessam o recurso. Dentre os 50 municípios presentes na sala, 31 realizaram mais de dez dispensas de PEP entre 2011 e 2014. E a falta de informação foi um dos motivos apontados para isso.

Como informar de maneira mais rápida foi outra questão que os participantes ficaram de levar para seus municípios. “A gente tem muito o que trabalhar para ampliar o acesso da população”, disse Karina. Para quem quer conhecer mais sobre a PEP, o CRT disponibiliza informações no hotsite que você pode acessar clicando aqui.

Dica de entrevistas:
CRT
Tel: (11) 5087-9907

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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