Iniciativa reunirá estudantes e residentes da saúde em seis cidades brasileiras para discutir desigualdades raciais, saúde mental e os desafios de garantir atendimento sem discriminação à população negra
No mês dedicado à valorização da história, da resistência e dos direitos da população negra, o Ministério da Saúde anunciou uma iniciativa que coloca o enfrentamento ao racismo no centro da formação dos futuros profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Lançado nesta terça-feira (3), o VER-SUS Confluências – Igualdade Racial promoverá experiências práticas em seis cidades brasileiras, aproximando estudantes e residentes das desigualdades que ainda marcam o acesso da população negra aos serviços de saúde.
A iniciativa integra a programação do Novembro Negro e parte do reconhecimento de que o racismo interfere nas condições de vida, no adoecimento, na saúde mental e na qualidade da assistência. O projeto pretende preparar profissionais para identificar práticas discriminatórias e desenvolver formas de cuidado mais humanizadas.
“O envolvimento do Ministério da Saúde e de todo o SUS com o Novembro Negro é exatamente para reforçar um conjunto de políticas, algumas retomadas, outras criadas no governo do presidente Lula, que busca enfrentar as maiores desigualdades que nós temos no nosso país”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, durante o lançamento, realizado ao lado de representantes do Ministério da Igualdade Racial e da Rede Unida.
Desigualdades raciais na saúde
As diferenças no acesso aos serviços de saúde aparecem nos próprios indicadores oficiais. Dados do Ministério da Saúde referentes a 2020 mostram que 80,9% das gestantes brancas realizaram sete ou mais consultas de pré-natal, percentual que cai para 68,7% entre mulheres pretas e 66,2% entre pardas.
O enfrentamento dessas disparidades está previsto na Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, instituída em 2009, que reconhece o racismo como determinante social da saúde e estabelece diretrizes para combater a discriminação institucional e qualificar a assistência.
Para o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Jerzey Timóteo, a formação profissional é fundamental para transformar essa realidade.
“Não é possível construir um SUS verdadeiramente universal e equânime sem discutir o racismo e seus impactos na saúde da população negra. Formar profissionais com esse olhar é fortalecer o cuidado, combater desigualdades e avançar na construção de um SUS antirracista”, destacou.
Formação em seis cidades brasileiras
Pela primeira vez, o projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) terá uma edição dedicada à igualdade racial. Ao todo, 252 pessoas participarão das atividades, entre 180 estudantes e residentes, 18 facilitadores e 54 integrantes das equipes locais de articulação.
As vivências acontecerão em articulação com as Casas da Igualdade Racial e os serviços do SUS, por meio de visitas territoriais, oficinas e rodas de conversa com trabalhadores da saúde e movimentos sociais. Entre os temas abordados estarão racismo institucional, atenção primária, saúde mental, barreiras de acesso e cuidado culturalmente sensível.
O primeiro ciclo será realizado de 30 de novembro a 4 de dezembro, no Rio de Janeiro (RJ) e em Pelotas (RS). A segunda etapa ocorrerá de 7 a 11 de dezembro, em Fortaleza (CE), Salvador (BA), Itabira (MG) e Contagem (MG).
Saúde mental também é prioridade
Durante o lançamento, os ministérios da Saúde e da Igualdade Racial também firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para desenvolver ações de atenção psicossocial antirracista no SUS e no âmbito do Programa Mais Igualdade.
A parceria busca integrar as políticas de saúde mental e igualdade racial, considerando os impactos da discriminação sobre o sofrimento psíquico e as dificuldades enfrentadas pela população negra na busca por acolhimento e tratamento.
O edital do VER-SUS Confluências – Igualdade Racial, com informações sobre a seleção dos participantes, está disponível no site da Rede Unida.
Redação da Agência de Notícias da Aids




