04/12/2014 – 13h
No Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de Dezembro), Felipe Moura Brasil escreveu em seu blog no site da revista “Veja” um texto discordando de matéria do jornal “O Globo” sobre aumento de casos de HIV entre gays. Diz o jornal carioca que o preconceito faz dos gays os mais expostos. O tal Felipe Moura Brasil, para discordar, escreveu frases como: “O preconceito – por pior e mais repugnante que seja – transmite vírus da aids agora?”; Será que ele vai para a cama com os gays? Será assim uma relação carnal forçada, um estupro anal sobre o qual boa parte das ‘vítimas´ gays não tem responsabilidade alguma?” Leia aqui.
Indignados com o que consideram desrespeito aos direitos humanos, afirmativas ignorantes e homofóbicas, integrantes do Fórum de ONgs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp) fez a nota que você lê a seguir, na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO AO BLOGUEIRO FELIPE MOURA BRASIL
O Fórum de ONGs/Aids de São Paulo, colegiado que reúne mais de uma centena de organizações com atuação em saúde pública e direitos humanos no estado de São Paulo, vem através desta nota manifestar seu REPÚDIO a postagem feita pelo blogueiro Felipe Moura Brasil no dia 1º de dezembro no sita da revista Veja.
Na lamentável nota o blogueiro despeja uma série de afirmativas ignorantes, preconceituosas e homofóbicas direcionadas as populações mais vulneráveis atingidas pela aids, em especial os jovens gays. Esquece-se o blogueiro que o Brasil figura tristemente nos maiores patamares por morte de gays de forma violenta caracterizando crime de ódio. A cada dia pelo menos um gay sofre violência no nosso pais sem que medidas efetivas de combate a estas atrocidades sejam promovidas por parte do estado.
A saúde pública pode ser efetiva quando somada ações que vão além de seu espaço de atuação, ou seja somada a outras áreas para atuação em conjunto como promoção do respeito a diversidade, fomento de uma sociedade pacifica a inclusiva e incentivo ao entendimento dos diversos comportamentos como direito e dever de cada individuo. Querer utilizar de subterfúgios confusos com a intenção de localizar “culpados” é um desserviço a estes valores, ainda mais com argumentos recheados de parcialidades e interesses obscuros.
É deplorável que um veículo de comunicação abra espaços a pseudo especialistas que, na ânsia de semear polêmica, utilizem os espaços nobres para formular teorias confusas. Atitudes deste tipo não colaboram em nada para com a construção de uma sociedade plural e somente acrescentam pontos a rejeição e ao descrédito que a revista "Veja" tem acumulado ao longo do tempo.
Não vamos permitir que em pleno século 21 ainda se criem espaços de fogueira e de ódio transformando as pessoas que vivem com aids, seus familiares e amigos em culpados individualmente por uma situação de indiferença e inoperância do estado. Seguimos em nosso caminho de construção de políticas publicas que somem e no atento olhar de combate a qualquer tentativa de manipulação da informação em busca da recuperação de uma visibilidade cada vez menor.
São Paulo, 4 de dezembro de 2014
Rodrigo Pinheiro
Presidente



