O projeto “Saúde, Informação e Cidadania”, promovido pelo Senac São Paulo e produzido pela Agência Aids chega a unidades da instituição na cidade de São Paulo. O ciclo de encontros foi iniciado na unidade de Itaquera. Estudantes e educadores participaram de uma roda de conversa marcada por escuta, acolhimento e informação sobre saúde, prevenção e respeito.
“Saúde, Informação e Cidadania” iniciativa, que já percorreu cidades do interior e do litoral do estado, tem como objetivo levar informação e promover o diálogo sobre saúde, prevenção e cidadania entre jovens e educadores, em um formato leve, informal, direto e informativo.
Durante o dia, foram realizadas duas apresentações, uma pela manhã e outra à tarde. Ambas contaram com a presença da jornalista Roseli Tardelli, fundadora desta Agência, idealizadora do projeto e responsável pela mediação; do ator, youtuber e ativista Diego Krausz; e da psicóloga e sexóloga Regiane Garcia. Juntos, eles promoveram uma conversa direta e esclarecedora sobre temas como prevenção combinada, infecções sexualmente transmissíveis, enfrentamento ao estigma, autocuidado e empatia.
Diálogo, memória e informação
Ao apresentar o evento, o gerente da unidade, André Mendonça, destacou a importância da parceria com a Agência Aids e o papel da educação como ferramenta de transformação. Em seguida, Roseli abriu a conversa lembrando o contexto histórico da epidemia de Aids no Brasil, dados sobre as infeccões no mundo e os motivos que a levaram a fundar a Agência Aids:
“Seria muita hipocrisia de minha parte seguir como se nada tivesse acontecido. Perder um irmão para a Aids na primeira década da pandemia, foi devastador. Transformei nossa trajetória e fundei a Agência. Nosso trabalho é organizar informações sobre o tema HIV, difundir dados e pautas sobre saúde, autocuidado. Promover cidadania e chamar atenção para a pauta a partir de São Paulo, para o Brasil e o mundo”, disse a jornalista.
Humanização e novas formas de prevenção
O ator e youtuber Diego Krausz, vive com HIV há oito anos. Ele compartilhou sua história e falou sobre a importância da informação na quebra de preconceitos:
“O importante é trazer a informação até vocês, jovens. A gente fala sobre HIV, fala sobre Aids. O conhecimento tem que circular e contribuir para vocês mudarem o comportamento e perceberem sua vulnerabilidade. É importante falar sobre prevenção e mostrar que viver com HIV não significa deixar de viver plenamente”, afirmou Diego.
Ele explicou o conceito I=0 (Indetectável=Zero risco de transmissão), informando que uma pessoa em tratamento, por seis meses contínuos, zera sua carga viral e não transmite o vírus em relações sexuais sem preservativos.
Diego contou que ao descobrir que havia se infectado com o vírus ficou atordoado:”Nem sei como voltei para casa”, e que a rede de apoio, amigos e a família foram essenciais para lidar com o diagnóstico:
“Foi confuso e dolorido, mas a terapia me ajudou a entender que eu não era o vírus. Hoje, vivo com o HIV há oito anos e estou indetectável desde três meses após o diagnóstico.” Interessados em seu processo de superação, durante a palestra, ele respondeu perguntas dos estudantes sobre preconceito e aceitação,“O monstro era muito maior na minha cabeça. Ser acolhido e ouvir fez muita diferença. Me trouxe condições de seguir a vida”, completou.
Educação, empatia e esclarecimentos
Regiane Garcia destacou a importância da educação em saúde e o o papel da informação para reduzir danos e promover escolhas conscientes: “ É importante se informar através de fontes seguras. Falar de sexualidade é falar de quem somos.É importante fazer isso sem medo, sem tabus”, comentou.
A especialista lembrou que o Brasil ainda é um país marcado pelo conservadorismo e pela dificuldade em conversar sobre temas relacionados à sexualidade. Segundo Regiane, falar, ouvir e trocar experiências é o caminho para o respeito:
“A gente precisa se educar para se cuidar. A sexualidade faz parte da vida, traz prazer, saúde e respeito. E escolher uma vida saudável é conhecer, conversar e fazer escolhas conscientes”, fez questão de esclarecer.
Mandala da Prevenção e o papel da informação
Em determinado momento a Mandala da Prevenção Combinada, produzida pelo Ministério da Saúde com suas diferentes estratégias disponíveis no SUS, como PEP (Profilaxia Pós-Exposição), PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), uso do preservativo interno e externo, testagem regular, tratamento para quem vive com HIV e vacinação contra hepatites e HPV, foi apresentada aos estudantes que questionados, não conheciam os ítens e manejos em profundidade.
“Tudo o que a gente fala aqui é sobre redução de danos. Informação é ferramenta de cuidado”, disse Regiane Garcia.
“Falar de prevenção é naturalizar o tema, como escovar os dentes, trocar de roupa, faz parte da vida”, completou Roseli, que também apresentou aos alunos as máquinas automáticas de PEP e PrEP instaladas em estações do metrô de São Paulo e destacou a importância de facilitar o acesso aos insumos de prevenção:
“A cidade de São Paulo reduziu em 50% as novas infecções por HIV porque foi pra rua falar sobre prevenção. Informação e acesso são essenciais”, afirmou.
Encerramento com arte e QR Code
A atividade foi encerrada com a disponibilização do QR Code do “ Guia, ou toques descolados: a informação chegando antes que o HIV entre no seu rolê”, material educativo com linguagem acessível sobre prevenção, autocuidado e direitos, desenvolvido pela Agência Aids especialmente para o público jovem.
“Nosso objetivo é fazer com que cada pessoa leve essa conversa adiante na escola, em casa, entre amigos… Falar é o primeiro passo para quebrar o estigma”, concluiu Roseli Tardelli.
Próximas edições
O projeto “Saúde, Informação e Cidadania” segue agora por outras unidades do Senac São Paulo:
Vila Prudente – 5 de novembro
Tatuapé – 11 de novembro
São Miguel Paulista – 14 de novembro
O evento é exclusivo para os alunos das unidades do Senac São Paulo.
Galeria de fotos:

O gerente André Mendonça apresenta os integrantes do encontro para o início dos diálogos

Insumos de prevenção presentes em cada ação

Regiane Garcia destacou a importância do autocuidado

Diego Krausz além de contar sua trajetória, trouxe o tema da vulnerabilidade de todos

Como a mídia construíu narrativas sobre a infecção e as consequências disso: assunto presente para reflexão

Perguntas respondidas, dúvidas esclarecidas: alunos participam, dialogam, compreendem detalhes sobre os assuntos apresentados

Todo mundo curte fazer a self no final dos encontros!

Claro, tem quem prefere fazer o registro individual.

O gerente André Mendonça, a Driale, a Gabriela, equipe do Senac Itaquera: atenciosos, amáveis, muito profissionais e apoiando em tudo para que o encontro acontecesse e as informações chegassem. com clareza para os jovens!
Vinícius Monteiro (vinicius@agenciaaids.com.br)
Estagiário em Jornalismo na Agência Aids
Edição: Talita Martins



