NO LANÇAMENTO DO LIVRO DOS DEZ ANOS DA PARADA GLBT DE SÃO PAULO, SECRETÁRIO DA IDENTIDADE E DIVERSIDADE CULTURAL FAZ DEFESA ENFÁTICA DA PARCERIA CIVIL; ‘SE DEVE OUSAR E GARANTIR A APROVAÇÃO DESSE PROJETO’, AVALIA O SECRETÁRIO SÉRGIO MAMBERTI

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31/01/2007 – 15h40

“Eram 700 pessoas, talvez mil, mas aquilo foi extremamente gratificante para quem estava lá”, lembra a cantora e escritora Vange Leonel a respeito da 1º Parada do Orgulho GLBT (Gays Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo, ocorrida em 1997. Sete anos depois, em 2004, o evento se transformaria no maior do gênero em todo o planeta: naquele ano a parada reuniu 1,8 milhão de pessoas (segundo a organização) ou 1,5 milhão (segundo cálculo da Polícia Militar). Seja qual for o número, superou as similares e, até então, maiores do mundo que ocorrem anualmente em Toronto (Canadá) e São Francisco (EUA). A lembrança de Vange Leonel ocorreu no início do debate intitulado “Diversidade, cultura e transformação social: 10 anos de Orgulho GLBT em São Paulo”. O encontro, que aconteceu na noite desta terça-feira (30/01), também serviu para o lançamento do livro “Parada – 10 anos do Orgulho GLBT em SP”. Durante o debate, que durou cerca de duas horas, falou-se da importância e do simbolismo da parada, mas também de questões sensíveis para a comunidade GLBT, como a homofobia e parceria civil de pessoas do mesmo sexo.


O secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, o ator Sérgio Mamberti, foi enfático na defesa da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo ao responder pergunta da jornalista e editora-executiva da Agência de Notícias da Aids Roseli Tardelli. “Se não sair nesses próximos quatro anos [a parceria civil], será uma derrota pra gente”, admitiu Mamberti. “É a legalização de uma união compatível com o Estado de Direito em que a gente vive”, avalia o ator e representante do governo federal. “Se deve ousar e garantir a aprovação desse projeto”, defende Mamberti.

Além de Sérgio Mamberti e Vange Leonel, o debate também contou com a presença da antropóloga Regina Facchini, vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT). “Estamos revendo o projeto de parceria civil, pois ele ficou muito tempo parado [no Congresso Nacional]”, explica a antropóloga Regina Facchini. Durante sua exposição, ela afirmou que o projeto atual de união civil está “desatualizado” e que, no momento, a “prioridade” da associação da parada “é o projeto de criminalização da homofobia”. De autoria da deputada Iara Bernardi, o projeto de lei 5.003/01 está na pauta de votações do Plenário da Câmara dos Deputados.

10 anos do Orgulho GLBT em SP

O secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, lembrou que a primeira parada foi um momento “muito bom, mas ainda era um sonho, um projeto”. Graças ao sucesso da parada da capital paulista, iniciativa que o secretário da Identidade e Diversidade Cultural qualifica como “pioneira”, ações do tipo “se multiplicaram por todo o país.” Ele reafirmou o apoio da secretaria em relação à parada deste ano, mas lembrou o problema do “contingenciamento” de verbas. “No ano passado, o Congresso só votou o orçamento em abril. O dinheiro só chegou ao ministério em junho”, lembra.

Em seguida, Vange Leonel ressaltou que a parada “é um espaço tanto pra festa como pro ativismo”. “O preconceito, a homofobia ainda existe. Há cinco, seis meses, duas amigas lésbicas apanharam na Augusta [Rua Augusta, zona boêmia do centro da capital paulista]. Fiquei muito contente que, na parada desse ano, o machismo entra em pauta. O machismo está na base da homofobia e da violência”, avalia.

Para Regina Facchini, “a parada é uma estratégia de mobilização”. Ela recordou com saudade e emoção da primeira parada, realizada em 1997, quando os seguranças foram “garotos e garotas anarco-punks”. Em seguida, leu texto no qual fez um balanço das nove paradas anteriores e da décima, a ser realizada em junho deste ano. “Se eu não puder dançar, essa não é a minha revolução”, encerrou, citando frase da feminista e anarquista Emma Goldman (1869-1940).

O ator Sérgio Mamberti concluiu o debate reafirmado o compromisso do governo com a diversidade, com a “defesa” da cidadania. “Certamente estaremos juntos em junho. Em junho né?”, indaga para antropóloga Regina Facchini, que ficou ao seu lado durante todo o debate. “Dez de junho”, responde Facchini sobre a data da 10º Parada do Orgulho GLBT de São Paulo.

Léo Nogueira

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