No Dia da Mulher, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas reivindica políticas públicas efetivas para as mulheres vivendo com HIV/aids

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M N C P - "Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas": 2009

Neste 8 de março – Dia Internacional da Mulher, o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) ergue a voz em uma carta-manifesto que destaca, mais uma vez, suas preocupações urgentes com relação à violação dos direitos das mulheres que enfrentam a dualidade desafiadora de ser mulher e viver com HIV no Brasil.

No manifesto publicizado nesta data, o movimento destaca a influência de eventos recentes, como a pandemia da covid-19 e seus impactos nas condições de vida das mulheres, agravando situações que já eram desfavoráveis. O documento destaca ainda a desestruturação e retrocesso nas garantias constitucionais e direitos das pessoas que vivem com HIV/aids, direitos estes que foram conquistados ao longo das décadas pelo Movimento de Luta contra a Aids.

As cidadãs posithivas não deixam de apontar a urgência de ações efetivas que dêem conta das inúmeras desvantagens e injustiças enfrentadas por aqueles que vivem em situações precárias de mazela social.

“Num país no qual uma imensa maioria de mulheres vivem em condições precárias de vida, na pobreza, sob o racismo, exploração e submetidas às mais nefastas práticas de violência e violação, pela absoluta ausência de direitos humanos, nos mostra a urgência em ações efetivas para lidar com as desvantagens e injustiças que as mulheres experimentam apenas por serem mulheres e, se esta mulher vive com HIV/aids é colocada, muitas vezes, num lugar de exclusão e rejeição afetiva e social”, diz um dos trechos.

Para além, expressam apreensão também em relação aos compromissos assumidos pelo Ministério da Saúde, por meio do DATHI, relativos ao Plano de Enfrentamento do HIV e outras ISTs em mulheres inseridas em contextos de extrema vulnerabilidade. Elas reivindicam que o plano saia urgentemente do papel e seja efetivamente implementado nos Estados e Municípios brasileiros.

“Nos preocupa profundamente a forma que os serviços de saúde veem e tratam as mulheres – apenas sob a ótica epidemiológica e biológica. Precisamos ser vistas sobretudo, pelas consequências das desigualdades de gênero no ambiente familiar, renda, condições de trabalho, habitação e lazer. Precisamos ter os direitos sexuais e reprodutivos assegurados em todos os serviços de atenção à saúde. Ainda nessa esteira, as comorbidades que têm assolado nossos corpos e saúde mental não podem mais ser negligenciadas. Estamos envelhecendo prematuramente com a infecção do HIV e pelo uso da terapia antirretroviral, estamos enfrentando a menopausa precoce e, muitas de nós sem acesso a serviços com atendimento especializados e digno. Se não bastasse enfrentamos violações de direitos, estigma e discriminação em ambientes que deveriam acolher e tratar, e estas atitudes e práticas desumanizadoras são os maiores produtores de vulnerabilidades, sofrimentos e prejuízos à saúde das mulheres”, destaca outro trecho do manifesto.

Leia a carta na íntegra:

Manifesto pelos Direitos das Mulheres – 8M

Dica de entrevista 

MNCP – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas

E-mail: secretarianacionalmncp@gmail.com / Instagram: mncp_brasil

Redação da Agência de Notícias da Aids

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