No Brasil, a tuberculose é uma das principais causas de morte entre pessoas com HIV/aids. Especialistas destacam que o rastreamento precoce é fundamental para reduzir o número de óbitos

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Dados do Ministério da Saúde apontam que pessoas privadas de liberdade, vivendo com HIV e povos indígenas têm, respectivamente, 23, 19 e 3 vezes mais risco de desenvolver tuberculose em comparação com a população geral. Isso ocorre porque o HIV compromete a função imunológica, aumentando a suscetibilidade a infecções oportunistas, incluindo a tuberculose.

O Ministério da Saúde também indica que, em 2023, 9,3% de todos os casos de tuberculose no Brasil ocorreram em pessoas vivendo com HIV/aids. A tuberculose ainda é uma das principais causas de morte nessa população.

Por isso, a Agência Aids conversou com dois especialistas no assunto, que analisaram os desafios e oportunidades no enfrentamento da tuberculose entre a população vivendo com HIV. São profissionais em saúde pública e pesquisa: um atuante diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e o outro focado em pesquisas clínicas e farmacológicas, mas ambos conhecem bem os desafios do HIV e da tuberculose.

O médico infectologista e gerente de assistência da Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, Robinson Camargo, e o médico infectologista e gerente médico da área de HIV da GSK/ViiV Healthcare, Dr. Marcelo Lima, esclareceram os fatores técnicos e sociais que influenciam a saúde das pessoas que vivem com HIV/aids, além das principais formas da coinfecção HIV/tuberculose.

Ao falar de tuberculose, de acordo com Dr. Robinson, o grande problema é que o diagnóstico precoce muitas vezes não ocorre, levando ao subdiagnóstico e ao agravamento da doença, que só é detectada quando os sintomas se tornam graves. “Das doenças oportunistas em pessoas vivendo com HIV/aids, a tuberculose é a mais prevalente e perigosa”, alertou.

“Ela tem uma simbiose indesejada com o HIV, que propicia um terreno fértil para a tuberculose, a qual, por sua vez, pode levar o paciente a uma piora do seu estado de saúde e, eventualmente, ao óbito. Por isso, o acompanhamento nos serviços especializados em terapia antirretroviral (TARV) pode fazer toda a diferença no avanço de doenças como a tuberculose, pois permite a identificação precoce e a realização dos cuidados necessários”, continuou.

Dr. Marcelo, em sua análise, também ressaltou a gravidade da coinfecção TB/HIV, esclarecendo que “o HIV enfraquece o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções como a tuberculose. O vírus ataca os linfócitos CD4, dificultando o controle da infecção, acelerando sua progressão e aumentando a possibilidade de quadros graves de tuberculose. Já a tuberculose promove uma intensa inflamação no organismo, com maior multiplicação do HIV, queda dos linfócitos CD4 e maior risco de progressão para quadros de aids e, consequentemente, risco de óbito.”

Importância da prevenção

“Por isso, é fundamental realizar os tratamentos corretamente indicados pelo médico”, reforçou.

Uma dúvida comum é se uma pessoa pode adquirir a coinfecção TB/HIV mais de uma vez. A resposta é sim. Segundo os especialistas, sempre que o sistema imunológico está enfraquecido pelo HIV, a pessoa fica mais vulnerável a novas infecções, incluindo a reinfecção tuberculosa.

“A probabilidade de reinfecção por tuberculose é real, pois, após a cura, não há imunidade contra a doença. Além disso, uma pessoa já infectada com HIV pode se reinfectar com outra cepa do vírus, o que pode agravar seu estado de saúde. Sendo assim, as formas de prevenção devem ser seguidas conforme instrução da equipe de saúde”, explicou Dr. Robinson.

Políticas públicas e desigualdade social

Retratos da desigualdade: fotos de drone revelam contrastes sociais do céu - Mega Curioso

Para ambos, as políticas públicas devem ir além do básico. “A ampliação do acesso a exames gratuitos, especialmente em comunidades vulneráveis, campanhas educativas, parceria com lideranças comunitárias e testagem ativa são fundamentais para melhorar o rastreamento da tuberculose”, afirmou Dr. Marcelo Lima.

Dr. Robinson complementou: “É essencial capacitar profissionais de saúde para identificar precocemente a tuberculose e expandir o uso de exames rápidos, como o Teste Rápido Molecular para TB (TRM-TB) e o LF-LAM, além de reforçar a gratuidade do tratamento na rede pública”.

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dicas de entrevista

Coordenadoria de IST/Aids de SP

@istaidssp

+55 (11) 96197-3086

comunicacao.istaids@prefeitura.sp.gov.br

GSK/ViiV Healthcare

gsk.com/pt-br

Assessoria de Imprensa

camila.curvelo@inpresspni.com.br

Apoios