05/02/2007 – 17h30
Ele lutou contra a Ditadura Militar (1964-85), contra a hemofilia, contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-92) e contra a pandemia da Aids que, por fim, acabou vencendo-o em 9 de agosto de 1997. Fisicamente frágil, foi um verdadeiro espartano (soldados gregos da antiguidade famosos por sua bravura) em sua luta a favor dos miseráveis e excluídos. O dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-80) dizia que “toda unanimidade é burra”. Herbert José de Souza (1935-97), mais conhecido como Betinho, foi e é uma dessas figuras sobre as quais as opiniões convergem.
Em abril, milhões de brasileiros acéfalos, seguindo o raciocínio do dramaturgo fanático por futebol, terão a oportunidade de conhecer melhor a vida do sociólogo. A editora Planeta será a responsável pela publicação de uma biografia de Betinho.
Segundo a assessoria de imprensa da companhia, o livro vai ser lançado entre abril e maio de 2007. “Ainda nem começou a divulgação [do livro]”, esclareceu uma das assessoras da editora, ao explicar porque não poderia fornecer muitas informações sobre o assunto.
Após alguma insistência, ela revelou o nome da autora, Carla Rodrigues, jornalista que trabalhou no Jornal do Brasil e na revista Isto É e foi assessora do sociólogo no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e durante a campanha “Ação Cidadania”. Atualmente, a carioca é uma das articulistas do site NoMínimo (clique aqui e leia os textos da jornalista).
A história do “irmão do Henfil”
Betinho nasceu em Bocaiúva, cidade do interior de Minas Gerais, em 3 de novembro de 1935. Assim como os irmãos (o cartunista Henfil e o músico Chico Mário), herdou a hemofilia de sua mãe. Em razão disso, desde cedo, teve diversos problemas de saúde. De 1950 a 53, viveu praticamente confinado em um dos quartos da casa da família em razão da tuberculose que o acometia violentamente.
No final dos anos 50, tem início sua militância política em duas organizações católicas: a Juventude Estudantes Católica (JEC) e a Juventude Universitária Católica (JUC). Aos 27 anos, em 1962, torna-se um dos fundadores da organização marxista Ação Popular (AP). Dois anos mais tarde, com o advento do Golpe Militar, exila-se no Uruguai.
Até 1971, retorna (de maneira clandestina) diversas vezes ao país. Finalmente, em 16 de setembro de 1979, volta definitivamente ao Brasil graças a Anistia. Desde então, dedica-se, entre outras atividades, à defesa da reforma agrária. Em 1981, funda o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
Em 1986, descobre estar infectado pelo vírus HIV, que contraiu em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a submeter-se periodicamente, devido a hemofilia. Dois anos mais tarde, seus dois irmãos morrem vitimados pela Aids. O cartunista Henfil falece aos 43 anos. O músico Chico Mário aos 39.
O ano de 1992 foi movimentado para Herbert José de Souza: cria o embrião da “Ação Cidadania” (que promoveria diversas campanhas de arrecadação de alimentos) e participa ativamente do Movimento pela Ética na Política, que auxiliaria na deposição do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Em 5 de julho de 1997, começa o martírio do sociólogo. Vítima de hepatite crônica, ele é internado. Sem conseguir alimentar-se, definha. Ao estado já grave, somam-se pneumonia bacteriana, infecção oral e insuficiência hepática. Em 30 de julho, mesmo com a saúde debilitada, pede (no que é atendido prontamente) para voltar para sua casa em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Em 9 de agosto, pesando apenas 39kg, o sociólogo falece às 21h10 vítima de falência hepática (além de complicações renais e hemorragias cutâneas).
Léo Nogueira


