
O Brasil se despede de um de seus maiores ícones da dramaturgia. Ney Latorraca, ator que marcou gerações com suas performances no teatro, cinema e televisão, morreu aos 80 anos nesta quinta-feira (26), às 6h22, devido a uma sepse pulmonar causada pelo agravamento de um câncer de próstata. Ele estava internado na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro, há seis dias.
Além de seu vasto legado artístico, Ney deixa uma marca de altruísmo. Em seu testamento, ele garantiu que seus quatro apartamentos, localizados em bairros de alto padrão do Rio de Janeiro e São Paulo, seriam doados para instituições de caridade. Entre os beneficiados estão o Retiro dos Artistas, que oferece acolhimento a artistas em situação de vulnerabilidade, e o Grupo de Apoio às Crianças com Aids, de Santos, sua cidade natal.
“Botei no meu testamento que vou doar os quatro. Fiz questão”, disse o ator em entrevista durante a pandemia. Ney também destinou parte de seu patrimônio à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e a um grupo que apoia vítimas de hanseníase.
Trajetória brilhante
Antonio Ney Latorraca nasceu em Santos, São Paulo, em 25 de julho de 1944, em uma família de artistas. Filho de Alfredo, cantor e crooner, e Tomaza, corista, Ney começou cedo na Rádio Record, aos 6 anos. Sua carreira profissional teve início aos 19 anos com “Pluft, o Fantasminha”, de Maria Clara Machado.
Ao longo da década de 1970, destacou-se em peças icônicas como “Hair” e “Jesus Cristo Superstar”. Na TV, estreou na TV Globo em 1975, na novela “Escalada”, como o personagem mudo Felipe. Seu talento e carisma o transformaram em um dos artistas mais queridos do Brasil, estrelando sucessos como “Vamp”, “TV Pirata” e “O Mistério de Irma Vap”, peça que ficou 11 anos em cartaz.
Ney também foi pioneiro em comédia na televisão, especialmente com o personagem Barbosa, do humorístico “TV Pirata”. No cinema, participou de diversos filmes, além de ter feito trabalhos marcantes nas minisséries e novelas da Globo. Seu último trabalho foi no filme “Cine Holliúdy” (2019).
Legado pessoal e artístico
Casado há 30 anos com o ator Edi Botelho, Ney era conhecido por sua discrição na vida pessoal. Ele valorizava a estabilidade financeira e o cuidado com o próximo. Durante a pandemia, em entrevista, revelou que sua paixão por imóveis lhe trouxe segurança na velhice e possibilitou os atos de generosidade que marcaram seus últimos anos.
O ator passou as últimas décadas morando em um dos prédios mais luxuosos da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Além deste imóvel, possuía outros em bairros como Jardim Botânico e Copacabana, e em São Paulo, próximo ao edifício onde vive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Com a doação de seus bens, Ney reafirma o papel social que sempre desempenhou, deixando um legado que vai além das artes e tocando vidas por meio de sua generosidade.
O horário e local do velório e da cremação ainda não foram divulgados, mas a memória de Ney Latorraca permanecerá viva tanto nos palcos e telas quanto nos corações de quem foi impactado por seu talento e solidariedade.
Sobre o Retiro dos Artistas
Oficialmente fundada em 13 de agosto de 1918, no teatro Trianon, por 68 profissionais, o grupo se reuniu pela 1ª vez, para eleger a sua diretoria, em 19 de agosto de 1918, com a presença de 133 artistas, no velho Cine Teatro Pathé. Com homenagem ao ator João Caetano a data oficial da fundação passou a ser dia 24 de agosto de 1918. E a partir daí, a data de aniversário de morte passou a ser comemorado como DIA DO ARTISTA.
Com o passar do tempo e devido a alguns acontecimentos, a Casa dos Artistas se resumiu ao trabalho assistencial do Retiro. Vivendo de doações e campanhas, a “nova instituição” tratou de investir na qualidade de atendimento, visto que, o número de profissionais da área artística aumentava cada vez mais.
Nesses 100 anos de existência a CASA DOS ARTISTAS escreveu uma rica história artística, social e assistencial, tendo permanecido até os dias de hoje como uma instituição de caráter único em nosso país.
São 15 mil metros quadrados, com 50 casas, refeitório, teatro, cinema, biblioteca, piscina e salão de beleza. Poderia ser a descrição de um bairro, mas é a composição do Retiro dos Artistas, localizado no Rio de Janeiro. A instituição atende dezenas de residentes entre atores, cantores, instrumentistas, produtores, figurinistas, maquiadores e outras profissões. em situação de vulnerabilidade e depende totalmente de doações e trabalho voluntário.
Sobre a ABBR
Redação Agência Aids com informações



