Netos de Mandela participam de ato do Unaids contra discriminação, no Cristo Redentor

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24/05/2014 – 12h30

 Aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, um grande ato celebrou nessa sexta-feira (23) o combate à discriminação. A cerimônia fez parte da campanha mundial Zero Discriminação, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids), e da Somos Todos Iguais, da Arquidiocese do Rio. Os netos do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, Kweku e Ndaba, representaram a nova geração na luta pelo respeito aos direitos humanos iniciada pelo avô, maior símbolo da paz mundial, morto em dezembro de 2013.

“Mandela mostrou que mesmo quando você se sente oprimido, pode superar. Nós temos muitos problemas ao redor do mundo, violência doméstica contra as mulheres, abusos contra as crianças, ou estigma contra o HIV/aids, mas o importante é que nós, como comunidade, começamos a lutar contra isso”, disse Kweku.

A imagem da campanha Zero Discriminação é uma borboleta, símbolo de um processo de transformação, que representa o compromisso de cada um em assumir um comportamento aberto à diversidade e à tolerância.

De acordo com a diretora do Unaids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard (à esquerda na foto, com Kweku e Ndaba), a iniciativa foca no combate à discriminação e a todos os fatores sociais que deixam as pessoas mais vulneráveis à epidemia de HIV/aids.

“A discriminação tem um impacto bem negativo, a gente vê que em algumas cidades 20% dos casos de aids só são detectados no óbito. Quer dizer que a pessoa passou por todo o sistema e não se testou. Ela morreu devido à aids, sendo que o tratamento para a doença está aí, é gratuito, é distribuído pela rede de saúde, o teste é gratuito. Então, as pessoas não estão acessando esse serviço. Isso é pelo medo da discriminação”, disse ela.

Georgiana também lembrou que o problema da aids continua muito grave, e tem afetado mais a população mais jovem: “Os que não viram a epidemia de 30 anos atrás, não viram ídolos como Cazuza morrerem, não estão se cuidando, não estão usando preservativo, não estão fazendo testes. Estamos vendo o aumento no número de jovens que se infectam não só com HIV, mas também com outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e isso é preocupante.”

Apesar da ênfase no tema, o ator e ativista Cazu Barros (na foto ao lado, de óculos) disse ter sentido falta da representação do movimento de pessoas vivendo com HIV no evento. “Até questionei os organizadores sobre isso. Eles disseram que não houve tempo para convidarem alguém e a campanha não é exatamente sobre HIV/aids mas contra todas as discriminações”, disse.

Cazu elogiou a maneira como o evento englobou o combate à discriminação religiosa, com a fala de um babalaorixa, a população lésbicas, gays, bissexuais e transexuais e os negros.

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, lembrou que, independentemente da religião de cada um, a mensagem deixada por Jesus era de respeito e amor ao próximo.

"Nós vemos que a doença, a religião, muitas vezes a raça, as etnias, acabam perseguidas por divulgar suas ideias. Nós queremos fazer aqui, aos pés do Redentor, esse evento para dizer que Cristo nos ensinou a amar uns aos outros. Se nós realmente nos amarmos, não vamos fazer mal aos outros. Jesus ensinou que o que você quer que façam por você, deve fazer para os outros. Se quer ser respeitado e amado, comece a fazer para os outros, seja lá qual religião for, qual ideia for”, discursou dom Orani.

Agência de Notícias da Aids, com Agência Brasil

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