
Nesta terça-feira (03), Santos receberá um evento que celebra as quatro décadas de enfrentamento à aids na cidade. A roda de conversa, marcada para às 19h na Casa das Culturas de Santos, reunirá médicos, ativistas, artistas e outros atores da luta contra o HIV/aids que fizeram e fazem parte dessa trajetória, trazendo momentos históricos e debates sobre novas estratégias.
Santos superou os desafios do começo da epidemia de HIV e inspirou muitas iniciativas, se tornando modelo de resposta no Brasil. Por isso, esse marco será não só celebrado, mas também revisitado durante o encontro. “O que a gente tá celebrando é o papel que Santos teve, principalmente de ser considerada a capital da aids e depois se tornar modelo de resposta”, explica o médico epidemiologista, Dr. Fábio Mesquita.
Ele que esteve à frente da criação do primeiro programa municipal de combate à aids no Brasil, o programa de Santos, que também participou da criação do Departamento Nacional de HIV/aids e Hepatites Virais e fez parte do corpo técnico da OMS na área de HIV/aids, marcará presença no encontro.
Dr. Fábio relembra o impacto da epidemia na cidade e as inovações que colocaram Santos como referência nacional. “O primeiro caso de aids no Brasil foi identificado em 1984, três anos depois do primeiro caso nos Estados Unidos da América; de 84 para 2024 são 40 anos. Naquela época, a cidade tinha o maior número de casos proporcionais à população. Eu comecei a atender em 1987, numa época em que a gente não tinha nem antirretroviral”, relembra.
Segundo Mesquista, a virada começou em 1989, com a eleição de um governo progressista. Liderado pela até então prefeita Thelma de Souza, com apoio do secretário de saúde, Dr. Davi Capistrano da Costa Filho, várias ações inovadoras mudaram a realidade.
O médico relata que entre as medidas estavam a distribuição gratuita de preservativos, a criação de uma casa de apoio para pessoas vivendo com HIV e a implementação do primeiro projeto de redução de danos da América Latina. “Essas medidas foram inspiradoras depois do Programa Nacional. Mais tarde, eu mesmo fui trabalhar como chefe de coordenação do Programa Nacional com a Dra. Lair Guerra de Macedo Rodrigues e a gente levou várias dessas medidas para o programa nacional.”
A cidade também atuou para combater as transmissões por compartilhamento de seringas, que representavam quase metade dos casos na época. “Isso em função de que aqui é o maior porto, era um porto de exportação de cocaína e havia bastante consumo também na cidade’’, explica.
O evento é uma realização do GAPA Santos, do Instituto Cultural Barong, ONG Causa e Instituto Multiverso, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Santos. O encontro é gratuito e será realizado na Casa das Culturas de Santos.
Serviço
Onde: Casa das Culturas de Santos – Rua 7 de Setembro, 49
Quando: Terça-feira, 3 de dezembro
Horário: 19h



