No mês de março, marcado mundialmente pela luta das mulheres por direitos e reconhecimento, o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) recebeu uma homenagem do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) durante a celebração de dois anos do Programa Brasil Saudável.
A homenagem reconhece a contribuição do movimento no processo que levou à certificação do Brasil pela eliminação da transmissão vertical do HIV, alcançada em 2025 — um marco histórico para a saúde pública e para a luta das mulheres que vivem com HIV no país.
A placa entregue durante o evento, realizado em Brasília, destaca a participação fundamental da sociedade civil no processo que permitiu ao Brasil alcançar esse reconhecimento internacional. Entre os atores centrais dessa trajetória está o MNCP, rede formada por mulheres vivendo com HIV que, ao longo de décadas, transformaram suas próprias experiências em mobilização social, acolhimento e incidência política.
Para Fabiana Oliveira, do MNCP, o reconhecimento simboliza a força coletiva das mulheres que vivem com HIV no Brasil.
“Receber esta homenagem é uma grande alegria e, acima de tudo, um reconhecimento da luta coletiva das mulheres que vivem com HIV em todo o Brasil.”
Criado a partir da organização de mulheres que enfrentavam, além do diagnóstico, o peso do estigma e da exclusão social, o MNCP se consolidou como uma das principais vozes da sociedade civil na resposta brasileira ao HIV. A atuação do movimento inclui ações de acolhimento, formação, disseminação de informação e pressão política pela construção e manutenção de políticas públicas voltadas à saúde e aos direitos das pessoas que vivem com HIV.

“O Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas nasceu da coragem de mulheres que decidiram transformar suas histórias em mobilização, acolhimento e defesa de direitos. Nosso trabalho é fortalecer mulheres que vivem com HIV, combater o estigma, levar informação e defender políticas públicas que garantam cuidado, dignidade e acesso ao tratamento.”
Entre as pautas históricas do movimento está justamente a defesa de políticas que garantam cuidado integral às mulheres vivendo com HIV, especialmente durante a gestação. O acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento antirretroviral e ao acompanhamento adequado no pré-natal são elementos fundamentais para evitar a transmissão do vírus da mãe para o bebê — estratégia que permitiu ao Brasil atingir os indicadores necessários para a certificação internacional.
“Também atuamos fortemente pela eliminação da transmissão vertical do HIV, para que todas as mulheres tenham acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento adequado durante a gestação, garantindo que seus filhos e filhas nasçam livres do HIV.”
A conquista da certificação representa um dos avanços mais relevantes da resposta brasileira à epidemia nas últimas décadas. Especialistas e organizações da sociedade civil destacam que o resultado é fruto de uma combinação entre o trabalho do sistema público de saúde, políticas de prevenção e tratamento e a mobilização constante de movimentos sociais que acompanharam, pressionaram e contribuíram para a implementação dessas estratégias.
Para Fabiana Oliveira, o reconhecimento também reafirma a importância da participação ativa da sociedade civil na construção das políticas públicas.

“Essa conquista não é só nossa. Ela é das mulheres do MNCP, que seguem firmes em todo o país, é da sociedade civil aqui presente, que tem lutado para que esse Programa Brasil Saudável saia de fato do papel e torne-se uma realidade nos territórios tendo as nossas vozes ouvidas, ecoadas e respeitadas, é das organizações parceiras que caminham conosco e do SUS, que é fundamental para garantir acesso à saúde, ao tratamento e à vida.”
Ao receber a homenagem, o movimento também reforçou que a conquista da certificação não representa o fim da luta, mas um passo importante em um processo contínuo de garantia de direitos e acesso à saúde.
“Seguiremos juntas, com coragem, solidariedade e esperança, para que nenhuma mulher seja deixada para trás.”
Redação da Agência de Notícias da Aids




