Movimento de Pessoas Vivendo com HIV e Aids publica carta de repúdio a ação planejada pelo governo e o Unaids em alusão ao Dezembro Vermelho; Órgãos respondem que proposta está em construção

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Estamos há 43 dias do Dia Mundial de Luta Contra Aids, comemorado sempre em 1º de dezembro, e o FestAids – festival de arte e cultura que o Ministério da Saúde e o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) tem planejado em alusão a data, vem causando desconforto no Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/Aids. O evento, que deve acontecer entre os dias 1 e 10 de dezembro, no Espaço Cultural Renato Russo, em Brasília, pretende reunir no ‘Dezembro Vermelho’ diferentes atividades e artistas em prol da luta contra aids.

O coletivo, que reúne o Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids e Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids, publicou nesta semana uma carta aberta repudiando a iniciativa. “As festas ajudam a visibilizar as demandas da sociedade, contudo, a aids, o holocausto e outras tragédias que afetaram e afetam a humanidade, demandam um enfrentamento específico e um festival está longe de ser uma boa estratégia, em nosso olhar de pessoas vivendo com HIV/aids”, diz o documento.

Segundo os ativistas, a cada 15 minutos uma pessoa se infecta com o HIV, “precisando lidar com esse triste diagnóstico e isso não é tarefa fácil. Sabemos das dificuldades ocasionadas pela discriminação e preconceito do viver com HIV/aids, lembrando daquelas pessoas que nem conseguem fazer o teste pela dificuldade de acesso. Lembrando que crianças ainda nascem com HIV pela falta de um pré-natal de qualidade… Entre ter o diagnóstico, fazer o tratamento e sobreviver a tudo isso, considerando que atualmente a epidemia está concentrada entre as populações pretas, pardas, pobres e periféricas, identificamos a necessidade de políticas inclusivas, ampliação e atualização do tratamento e do acesso à testagem e a disponibilização de novos medicamentos com menores efeitos colaterais.”

Na carta, o grupo diz ainda que é necessário “suporte complementar para lidar com os efeitos colaterais, de serviços multidisciplinares oferecidos pelos Serviços de Atendimento Especializados, atualmente ameaçados de serem extintos e a atualização dos protocolos para crianças e pessoas multirresistentes aos antirretrovirais. Por tudo isso, não vemos motivos para festejar, lembrando que o 1º de dezembro foi criado internacionalmente como um dia de luta contra a epidemia de aids no mundo.”

“Queremos o compromisso de todas/os/es na construção de respostas para a epidemia de HIV/aids, cuja quinta década exige ações arrojadas, sustentáveis, inovadoras e capazes de intervir de forma contundente para reduzir a pobreza, o racismo, a discriminação, o estigma e, oxalá, alcançarmos a cura da aids. Neste dia, nos alegraremos e festejaremos”, finaliza. (Leia o documento na íntegra)

Outro lado

Em resposta ao documento, a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), do Ministério da Saúde, informou que “a proposta de programação alusiva ao Dezembro Vermelho, a ser realizada em Brasília, ainda está em construção. As contribuições dos movimentos sociais serão bem-vindas. O Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis reforça que, historicamente, foi e continua sendo parceiro dos movimentos sociais, valoriza suas histórias de luta e segue aberto ao diálogo e proposições vindas da sociedade civil organizada.”

O Unaids também se manifestou e disse que “reconhece o papel crucial desempenhado por organizações e movimentos, especialmente aqueles que representam pessoas vivendo com HIV/aids, no sentido de garantir uma resposta abrangente e inclusiva ao HIV/aids, assegurando que ninguém seja deixado para trás. É com esse espírito que o Unaids se empenha em fazer do Dezembro Vermelho um momento significativo para reintroduzir a questão do HIV/aids no topo da agenda pública.”

No documento, o programa da ONU afirma que deseja enfatizar a importância da cultura como um elemento essencial na transformação da percepção pública em relação a questões críticas para a sociedade. “Essa dimensão ganha ainda mais relevância devido à persistência do estigma e da discriminação enfrentados por pessoas vivendo com HIV/aids ou em risco de contrair o vírus. A cultura também serve como uma ponte para envolver a geração mais jovem, que não vivenciou as históricas campanhas de conscientização sobre o HIV/aids e que hoje está no epicentro das novas infecções por HIV. Além disso, a ideia é estabelecer uma conexão entre o Dezembro Vermelho e o tema fundamental dos direitos humanos, como um apelo urgente para enfrentar o impacto das desigualdades na resposta ao HIV/aids e outras pandemias. O Unaids mantém as portas abertas ao diálogo e valoriza e agradece as contribuições das redes e organizações que fazem parte do movimento aids na construção deste momento tão importante.”

Redação da Agência de Notícias da Aids

 

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