Mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ na BA representam 8,5% dos casos no Brasil em 2023, destaca G1

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Bandeira do orgulho gay erguida por membro da comunidade LGBTQIA+ — Foto: Niranjan Shrestha/AP

A Bahia teve 22 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2023, o que representa 8,56% dos casos registrados em todo o país no período, de acordo com levantamento feito pelo Grupo Gay Bahia (GGB), a mais antiga Organização Não Governamental (ONG) LGBT da América Latina. Em Salvador, foram registradas oito mortes homotransfóbicas.

 

As estatísticas colocam a Bahia em 4° lugar entre os estados que mais notificam mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, atrás de São Paulo, com 13,3%, Minas Gerais , com 11,67% e Rio de Janeiro, com 10,9%.

 

Em 2023, o Brasil se manteve no posto de país com o maior número de homicídios e suicídios da população LGBTQIA+ em todo o mundo: ocorreram 257 mortes violentas, uma a mais do que foi registrado em 2022. Deste total, 127 vítimas eram travestis e transgêneros, 118 eram gays, 9 lésbicas e três bissexuais.

 

Segundo o fundador do GGB, o professor Luiz Mott, em 44 anos de pesquisa, pela primeira vez travestis e transexuais ultrapassaram os gays no número de mortes violentas.

 

“Isso reflete a violência letal contra travestis e transexuais atualmente. Estimando-se que as trans representam por volta de um milhão de pessoas no Brasil e os homossexuais 20 milhões. O risco de uma transexual ser assassinada é 19% mais alto do que gays, lésbicas e bissexuais”, analisou Mott.

 

Em 2023, o levantamento aponta que o Nordeste teve 94 casos, o que representa 36% das mortes violentas contra pessoas LGBTQIA+ no Brasil. Na região, a Bahia está à frente de Ceará, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, os cinco estados que concentram mais registros.

 

“Confirma-se a persistência da homofobia tóxica nordestina do ‘cabra macho’, em tempo que requer dos gestores púbicos e da população em geral uma reflexão sobre medidas efetivas que garantam respeito à vida desta população”, disse Alberto Schmitz, coordenador do Centro de Documentação Luiz Mott do Grupo Dignidade de Curitiba.

Entre as capitais brasileiras, Salvador ficou em 4° lugar entre as que mais possuem mortes violentas pessoas da comunidade LGBTQIA+, com oito mortes, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, com 12, 11 e 10, respectivamente.

 

O estudo indica que as lésbicas estão na categoria sexual menos vitimizada de homicídios e feminicídios, porque “em geral as mulheres são menos violentas que os homens e se expõem menos do que os gays em espaços de risco”. Além disso, “raramente têm relações com pessoas desconhecidas no primeiro encontro”.
Sobre a cor e etnia das pessoas LGBTQIA+ do levantamento, mais de 60% das vítimas não possuem indicação. Entre os que foram notificados, a pesquisa aponta os seguintes índices:

 

Branca – 14,39%
Parda – 10,5%
Preta – 10,89%
Não identificada – 66,2%

 

Apenas para 34% das vítimas há indicação da cor. Não há indicação da cor de nenhuma lésbica e bissexual assassinados. A prevalência é maior para travestis e transexuais.

 

Conforme a classificação do Institito Brasileiro de Geografia e Estatística, os LGBTQIA+ brancos como categoria isolada é majoritária com 14,39%, seguida dos pardos (10,50%) e pretos (10,89%). Se agrupados, pardos e pretos totalizam 21,39%.

 

Pelo menos 22 profissões diferentes foram identificadas entre as vítimas. Dentre elas:

 

11 professores
5 empresários
3 médicos
3 dentistas
2 pais de santo
1 padre

 

Quanto às trans, sete ocupações foram registradas, com 18 profissionais do sexo, três comerciantes, três cabeleireiras, duas enfermeiras, uma garçonete.

 

“De igual modo é o calvário vivenciado pelos suicidas LGBT+, onde a intolerância lgbtfóbica, sem dúvida, foi o combustível e o gatilho para minar sua autoestima e desistirem de viver”, afirma Toni Reis, coordenador da Aliança Nacional LGBT.

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