Mortes maternas caem nas Américas, mas desigualdades regionais ainda ameaçam a vida de mulheres, alerta OPAS

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A mortalidade materna nas Américas apresentou queda nos últimos anos, mas permanece como um desafio crítico de saúde pública na região. A avaliação é da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que reforçou o apelo por ações urgentes para garantir atenção materna de qualidade a todas as mulheres.

De acordo com o relatório Tendências na Mortalidade Materna das Nações Unidas, 7.850 mulheres morreram por causas maternas na região em 2023. O número representa uma redução de 15,7% em relação a 2000, quando foram registradas 9.210 mortes. Ainda assim, a razão de mortalidade materna (RMM) foi de 59 mortes a cada 100 mil nascidos vivos — quase o dobro da meta regional de 30 óbitos por 100 mil até 2030, conforme estabelecido pela Agenda Sustentável de Saúde da OPAS.

Apesar de representar apenas 3% das mortes maternas no mundo, as Américas enfrentam enormes disparidades. Enquanto o Chile registra 10 mortes a cada 100 mil nascimentos, o Haiti chega a 328. Atualmente, cinco países possuem RMM muito baixa (menos de 20), 26 têm RMM baixa (entre 20 e 99), quatro apresentam RMM moderada (de 100 a 299) e apenas um país enfrenta RMM alta (mais de 300).

“Não podemos aceitar que, em um continente com altos níveis de desenvolvimento e investimentos, as mulheres continuem morrendo durante a gestação, o parto ou o puerpério”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da OPAS. “Garantir que cada nascimento ocorra nas melhores condições de saúde é dever dos sistemas de saúde, dos governos e de toda a sociedade”, completou.

Entre 2000 e 2023, 29 países reduziram suas taxas de mortalidade materna. Em quatro países, no entanto, os números cresceram de forma estatisticamente significativa. A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais as desigualdades no acesso à saúde, causando um pico temporário de mortes maternas em 2020. A situação melhorou em 2023, quando as taxas voltaram aos níveis anteriores à crise sanitária. Nesse período, houve uma redução de 19% na mortalidade materna, o que significou cinco vidas salvas por dia.

As principais causas das mortes maternas continuam sendo hemorragias graves, hipertensão, infecções associadas à gestação e complicações por abortos em condições inseguras — todas consideradas evitáveis. Segundo a OPAS, a maioria dessas mortes poderia ser prevenida com acesso a serviços de saúde adequados, baseados em evidências e com respeito aos direitos das mulheres.

Para enfrentar o problema, a organização defende que os países ampliem o acesso à atenção sexual, reprodutiva, materna e neonatal, além de investir na atenção primária à saúde e fortalecer os sistemas de informação e vigilância sobre mortalidade materna.

Como resposta, a OPAS lançou em 2024 a campanha Zero Mortes Maternas Evitáveis, com foco em fortalecer os sistemas de saúde, garantir acesso universal aos serviços e assegurar cuidados qualificados antes, durante e após o parto.

Compromisso global

O tema do Dia Mundial da Saúde deste ano — “Inícios saudáveis, futuros esperançosos” — reforçou o chamado para acabar com as mortes maternas e neonatais evitáveis, priorizando o bem-estar de mulheres e recém-nascidos em todo o mundo.

O relatório da ONU que embasa os dados foi elaborado pelo Grupo Interagências das Nações Unidas para Estimativas de Mortalidade Materna, liderado pela OMS e com participação do Unicef, UNFPA, Banco Mundial e outras entidades. Ele analisa informações de 195 países e substitui as estimativas anteriores publicadas.

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