Mopaids apoia em ofício declarações de secretário adjunto da Saúde municipal à Agência Aids

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 31/01/2014 – 16 h
A exemplo do que fez o Fórum de ONG Aids de São Paulo, o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) também decidiu manifestar apoio às declarações feitas pelo secretário adjunto de Saúde da Prefeitura, Paulo de Tarso Puccini, à Agência Aids. Puccini disse, na entrevista publicada aqui no dia 24 de janeiro, que o município não vai levar os pacientes com HIV para a atenção básica, pelo menos enquanto essa não estiver absolutamente preparada para recebê-los. Leia a seguir o ofício enviado ao secrtetário nesta quinta-feira (30) pelo Mopaids e assinado por Américo Nunes Neto, Araújo J. de Lima e Claudio Pereira:

Exmo. Sr. Secretário Adjunto de Saúde.
Senhor Secretário,

Lemos com atenção a entrevista concedida por V. Exa. à Agencia de Notícias da AIDS e publicada no dia 24 de janeiro de 2014.

Manifestamos nossa satisfação com a decisão dessa Secretaria de não levar a assistência das pessoas com HIV/AIDS para a atenção básica.

Com efeito, ressaltamos a importância dos Serviços Especializados e da Atenção Básica para o acompanhamento das pessoas com HIV/Aids e para a realização das ações de testagem e prevenção respectivamente, cada um deles com as atribuições próprias da atualidade. Ao mesmo tempo observa-se a saturação de ambos tipos de serviço. Por exemplo, observa-se que poucos serviços da atenção básica no Estado de São Paulo, realizam o teste de HIV em pessoas com suspeita de tuberculose, ou realizam o tratamento de DST. Por sua vez, a demora até a primeira consulta com um profissional especializado varia entre 3 e 5 meses como observara o Secretário De Filippi na Câmara de Vereadores.

Ressaltamos que a decisão do Ministério da Saúde foi tomada sem consulta às Pessoas Vivendo com HIV, ONGs/AIDS e até onde conhecemos, aos serviços de atenção básica. E desconhecemos quais experiências embasam esta mudança, que antes de mais nada, deve ter como objetivo a melhora da assistência às Pessoas vivendo com HIV/AIDS.

Por outro lado, cabe ressaltar que muitas pessoas com HIV/Aids preferem se tratar longe de suas residências e de seus locais de trabalho por receio da discriminação e preconceito que podem enfrentar caso seja revelada sua sorologia para vizinhos, família ou colegas de trabalho. Como foi relatado durante o Encontro de ONGs/AIDS do Estado de São Paulo, em julho de 2013, algumas PVHA de municípios pequenos, preferem viajar de 150 a 200 km de sua residência para se consultar e retirar seus medicamentos. Já no nosso município temos exemplos de pessoas que moram em no extremo da região leste e preferem se atender na Vila Mariana no Centro de Referência e Tratamento DST-Aids – CRTA. Isto conflita com a lógica territorial da Atenção Básica, e se implantada compulsoriamente, pode levar ao abandono do tratamento, ou a evitar ativamente o contato com estes serviços de saúde.

Neste sentido, solicitamos que qualquer mudança futura na forma de atenção às Pessoas com HIV/AIDS seja discutida com estas, suas organizações representativas e ONGs/AIDS.

Finalmente desejamos que a Prefeitura, rapidamente, consiga reestruturar tanto as Unidades Básicas de Saúde e Serviços de Assistência Especializadas

Cordialmente.
MOPAIDS – Movimento Paulistano de luta Contra a Aids.
Américo Nunes Neto
Araújo J. de Lima
Claudio Pereira

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