MOÇAMBIQUE: BRASIL ALIADO CONTRA A AIDS

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22/12/2006 – 12h00

“O mesmo idioma e mais experiência sobre a Aids fizeram do Brasil um grande aliado de Moçambique na luta contra a epidemia,” diz a coordenadora nacional de tratamento anti-retroviral pediátrico do Ministério da Saúde, Paula Vaz. Um dos pioneiros na resposta contra o HIV, o Brasil conseguiu controlar a epidemia ao garantir anti-retrovirais gratuitamente para todos a partir de 1996 e articulando a resposta do governo com o movimento social.

Hoje, apenas 0.6% dos cerca de 170 milhões de brasileiros são soropositivos. O Brasil formou muitos técnicos e quadros especializados em HIV/Aids e acumulou um conhecimento único na parceria com a sociedade civil. Tal baseia-se no princípio de que a saúde é um direito dos cidadãos e que estes têm o direito e o dever de participar na respectiva gestão.

A colaboração entre os dois países na área de Aids começou em 1997, quando profissionais de saúde moçambicanos participaram num treinamento no Brasil sobre prevenção do HIV entre jovens, mulheres e prostitutas. Em 2002, o projeto Ntwanano, “Aliança” em changana, língua do Sul de Moçambique, levou especialistas brasileiros à Moçambique para ajudar a programar a resposta contra a epidemia.

Um ano depois, o Ministério da Saúde do Brasil começou a enviar anti-retrovirais para dezenas de moçambicanos, administrados no Hospital Central de Maputo. Entretanto, a transferência para Moçambique de vinte anos de experiência na área médica e social é a principal contribuição.

“Com a escassez de recursos humanos especializados, os brasileiros passaram a ganhar espaço nos hospitais daqui,” comenta Paula Vaz. Dos 50 profissionais que trabalham no escritório nacional da Central Internacional para Cuidados e Tratamento da Aids, da Universidade de Columbia, 11 são brasileiros.

“Somos bem recebidos. Partes da nossa cultura como a música e as novelas são muito influentes, o que facilita a nossa relação,” conta o brasileiro Josué Lima, diretor nacional dessa instituição com sede nos Estados Unidos da América. A Central coordena um terço da distribuição nacional de anti-retrovirais em Maputo, Gaza, Inhambane, Zambézia e Nampula.

Geração Biz em expansão

Desde fevereiro, “Estamos Juntos”, coordenado pela organização não governamental internacional Pathfinder, une professores brasileiros e moçambicanos para a troca de experiências na prevenção de HIV entre jovens. Em novembro, 20 professores moçambicanos foram treinados no Brasil, diz o coordenador da Pathfinder em Moçambique, o brasileiro Júlio Pacca.

Espera-se que estes professores introduzam a temática da Aids nas aulas e criem grupos de alunos para discutir a prevenção do HIV. “Um professor de Matemática, por exemplo, pode mostrar a porcentagem de soropostivos no país, quando ensinar estatística,” afirma Pacca. O “Estamos Juntos” surgiu a partir de experiências obtidas no Brasil no projecto Saúde e Prevenção nas Escolas e, em Mocambique, no Geração BIZ, criado em 1999, pelo Fundo das Nações Unidas para a População e governo.

Até 2005, o Geração BIZ atingia um milhão de adolescentes e jovens, dos 10 aos 24 anos, nas áreas de prevenção e assistência, em nove províncias de Moçambique. Apenas as províncias de Manica e Nampula ainda não têm atividades da Geração Biz, mas, segundo Pacca, em breve, serão contempladas.

Fonte: https://www.plusnews.org/pt

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