MOÇAMBIQUE: ACABAR COM A EXCLUSIVIDADE, PARA DIMINUIR O ESTIGMA

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20/2/2007 – 15h50

O Ministério da Saúde de Moçambique pretende acabar ainda este ano com os Hospitais de Dia, que foram criados exclusivamente para atender as pessoas vivendo com HIV/Aids. Estes centros, que somam 11 em todo o país, provocam estigma aos soropositivos, alegou recentemente o ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido, em visita a província de Manica.

“A existência deste setor específico tem sido desencorajador aos doentes de HIV/Aids, o que os leva a aderirem tratamento tradicional ou mesmo até manter-se nos seus domicílios sem qualquer assistência médica e medicamentosa”, diz Garrido ao PlusNews.

Depois da mudança, os medicamentos anti-retrovirais passarão a ser adquiridos diretamente nas farmácias gerais dos hospitais públicos e os doentes de Aids serão internados nas enfermarias gerais, de modo a garantir um atendimento uniforme.

Possíveis problemas

Margarida Kaphesse, diretora do Hospital de Dia de Quelimane, capital da província da Zambézia, concorda que unificar o atendimento aumentará o número de pacientes atendidos, mas ressalta que será “complicado” manter a qualidade do tratamento anti-retroviral (TARV).

Segundo a médica, as fichas de atendimento dos doentes de Aids são mais complexas que as dos outros, pois é necessário saber o tempo que o paciente iniciou o tratamento anti-retroviral, quais os remédios utilizados, se há resistência para algum medicamento, entre outras informações técnicas. “O que está em jogo é se os funcionários dos hospitais regulares saberão preencher as fichas dos pacientes com HIV/Aids”, diz Kaphesse.

O secretário executivo-adjunto da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, Amós Sibambo, também teme piora no atendimento. “Os Hospitais de Dia já estão preparados para atender os soropositivos, mas não sei se o mesmo vai acontecer nos hospitais normais. Pode ocorrer uma superlotação de doentes”, diz.

Para uma população aproximada em 19.8 milhões de pessoas, Moçambique tem uma soroprevalência estimada em 16.2 por cento, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA. Hoje, cerca de 34 mil soropositivos fazem o TARV, segundo o Ministério da Saúde.

Plano de ações à Saúde

Acabar com os Hospitais de Dia consta de uma série de mudanças previstas no setor da Saúde, segundo Garrido. O Ministro afirma que o governo vai ainda ampliar e equipar os centros de saúde localizados próximos às zonas fronteiriças. Pretende-se evitar que os doentes moçambicanos que moram perto das divisas atravessem a fronteira para procurar por auxílio médico em outros países.

“Queremos que os estrangeiros se sintam atraídos por nossas unidades sanitárias e não os moçambicanos por as de fora”, diz.

Fonte: www.plusnews.org/pt/

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