MOBILIZAÇÃO PELA AIDS MUDA CENÁRIO DA ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS

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2/12/2006 – 11h30

“Lutem contra o HIV, não contra quem tem o vírus”. O 1º de dezembro ainda nem tinha chegado à metade, mas essa foi a frase que sintetizou o Dia Mundial de Luta Contra a Aids no Brasil. A autora é Beatriz Pacheco, advogada gaúcha de 58 anos, que vive com aids há nove. Foi uma sexta-feira nublada e chuvosa, mas marcada por compromissos assumidos pelo governo federal e pela emoção da arte em prol do fim do preconceito e do estigma contra as pessoas que têm o HIV.

Beatriz e o ator carioca Cazu Barroz, 34 anos, são os protagonistas da campanha do Ministério da Saúde para a data deste ano, que tem o foco nas pessoas que vivem com aids e que será exibida até o próximo domingo (3/11). Eles estiveram entre as centenas de pessoas que lembraram a data na capital federal. “Este dia reforça a solidariedade e o compromisso do governo para a prevenção, o tratamento e a promoção da qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e aids no Brasil”, resumiu o ministro da Saúde, Agenor Álvares.

No auditório Emílio Ribas, sede do Ministério da Saúde, foi lançado um protocolo voltado para profissionais de saúde, com orientações para atingir a meta de reduzir a transmissão vertical do HIV e eliminar a sífilis congênita no país, até o fim de 2007. Transmissão vertical é quando o vírus é passado da mãe para o bebê, durante a gestação, o parto ou a amamentação.

Hoje, em média, 8% das gestantes com HIV dão à luz bebês infectados. O país quer reduzir esse índice para menos de 1%. “Se os procedimentos corretos forem adotados, desde a gravidez, a meta é factível. Sem as intervenções, a chance de a criança ser infectada pelo vírus chega a 30%”, disse Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids.

De acordo com o Boletim Epidemiológico 2006, divulgado em 21 de novembro, a transmissão vertical do HIV caiu 51,5%, entre 1996 e 2005. Naquele ano, foram registrados 1.091 casos. No ano passado, 530. No caso da sífilis congênita, a taxa de incidência atualmente é de 1,9 caso a cada 100 mil gestantes. A intenção do Ministério é zerar a transmissão da sífilis da mãe para o bebê.

Na mesma solenidade, o ministro da Saúde, Agenor Álvares, lançou o “Caderno das Coisas Importantes”, uma espécie de agenda voltada para alunos de escolas públicas de todo o país. Desenvolvida em parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação e as Nações Unidas (Unesco e Unicef), a publicação tem linguagem visual arrojada, com informações sobre formas de transmissão e formas de prevenção das DST e da aids. Ao todo, 400 mil exemplares deverão ser distribuídos no ano que vem.

De acordo com o Censo Escolar do ano passado, 97,6 mil escolas trabalham o tema DST/Aids. Entre essas escolas, mais de 9 mil disponibilizam preservativos aos alunos. Pesquisas de comportamento sexual do Ministério da Saúde mostram que o índice de uso de preservativo na primeira relação sexual, entre os jovens brasileiros, pulou de 85, em 1986, para 68%, em 2005.

Também estavam presentes na cerimônia a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres; o secretário de Saúde do Distrito Federal, José Geraldo Melo; o representante da Organização Mundial de Saúde e da Organização Panamericana de Saúde no Brasil, Horácio Toro; a presidente do Grupo Temático do Unaids e representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier; e a representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Maria Inês Barbosa.

Igualdade – Do lado de fora, no gramado central da Esplanada dos Ministérios, a instalação artística “Contato”, da cenógrafa Bia Lessa, lembrou e cobrou a igualdade entre as pessoas que têm ou não o HIV. Mil nomes foram colados em 12 mil estacas brancas, decoradas com fitas vermelhas. Em nenhum dos nomes havia a informação de quem tinha ou não o vírus. “Precisamos tratar as pessoas que têm aids com igualdade. Elas têm o direito de trabalhar, amar, se relacionar. Não há diferença”, resumiu a artista.

A obra ocupou uma área total de 24 mil metros quadrados, o equivalente a quase três campos de futebol. Havia ainda estacas vermelhas, formando o laço vermelho, e a frase “Eu me escondia para morrer, hoje me mostro para viver”, pintada na grama, em escala gigantesca. A frase é de autoria da Rede Nacional de Pessoas que Vivem com HIV e Aids (RNP+). “As pessoas ainda não percebem que a Aids está no meio delas. Mas a doença afeta milhões em todo o mundo. Essa é visão. A obra é uma síntese da Aids, uma doença com visões distintas, mas que diz respeito a todos”, explica Bia Lessa.

Também faziam parte da instalação quatro laços vermelhos feitos com balões de gás, que foram soltos no céu. À noite, em uma ação inédita, a inscrição da RNP+ foi projetada em raio laser nas duas torres do Congresso Nacional, que ficou às escuras, como forma de lembrar os mortos pela doença. No ano passado, 11.026 pessoas morreram no Brasil em decorrência da aids. No mundo inteiro, foram 2,9 milhões. A instalação com as estacas ficará exposta em Brasília até 7 de dezembro.

Fonte:Programa Nacional de DST e Aids

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