22/3/2007 – 1h
Mário Scheffer realiza primeira conferência no Comunicaids 2007
“Temos que encarar desafios como recuperar o espaço perdido na mídia. Atualmente, os ativistas repercutem notícias, mas não geram matérias em jornais. A comunicação é um instrumento que necessita de uma matéria-prima para funcionar, o ativismo. Devido a uma série de conjunturas, perdemos força e, ao longo do tempo, houve a criação de mitos como o de que o Programa de Aids brasileiro é o melhor do mundo e isso não é bem assim”, garantiu o ativista do Pela Vidda São Paulo, Mário Scheffer, na conferência de abertura do Comunicaids. O seminário Políticas de Comunicação em AIDS – Estratégias para o Controle Social no Estado de São Paulo – teve início na noite desta quarta (21) e prossegue até sexta-feira. O evento é organizado pelo GAPA em parceria com a RNP+ SAMPA.
A abertura da atividade foi marcada com fortes declarações do ativista, que abordou temas como a perda de força do ativismo brasileiro em meios de comunicação, e também criticou os materiais de comunicação utilizados em prevenção em todo o País, produzidos por ONGs e pelo governo. “Os panfletos são antiquados, mal escritos e repetitivos demais. Não levam em consideração determinados grupos, são pouco atraentes. Até hoje ainda tem cartaz do estilo ‘Aids: assim pega e assim não’”, criticou Mário Scheffer.
Os mitos brasileiros na mídia citados por ele são, por exemplo: o quantitativo de preservativos distribuídos é suficiente; o Brasil poderá sofrer retaliações comerciais e não tem capacidade de produção nacional de anti-retrovirais para realizar quebra de patente; a epidemia de Aids está estabilizada entre homossexuais; a Aids é ‘prima rica’ da saúde e que o SUS não presta; o culpado do não fornecimento de medicamentos é o fornecedor.
“Parece absurdo para algumas pessoas quando cobramos mais camisinhas. Há o mito de que esse problema [da falta de preservativos] está solucionado. Isso atrapalha muito. Outro mito recorrente e atual é sobre a falta de medicamentos e insumos. A culpa sempre é do fornecedor. Não importa, o gestor de saúde tem que se programar para essas eventualidades”, avaliou o ativista.
Scheffer também afirmou que o movimento social precisa se articular mais em questões centrais e não ficar disperso, realizando vários eventos ao mesmo tempo sobre variados assuntos dentro da epidemia de Aids.
Abertura
Antes da conferência de Mário Scheffer, o evento teve a abertura realizada por Nair Brito (representando o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo), Gil Casemiro (Programa Municipal de DST/Aids) e José Carlos Veloso, presidente do GAPA SP e um dos organizadores do seminário de comunicação.
Os três deram boas vindas aos participantes do evento, cerca de 60, e lembraram que o objetivo do evento é debater, além de propor, estratégias de controle social nos diversos meios de comunicação em Aids: entre ONG e voltada para ativistas, prevenção, denúncias em veículos de massa, além de abordar campanhas de instituições governamentais.
“Espero que seja um processo proveitoso, que a discussão seja uma ponte de um ponto para um outro mais profundo. Devemos pensar no saudoso Chacrinha: quem não se comunica, se estrumbica”, disse Nair Brito.
Rodrigo Vasconcellos



