Ministro Padilha reage a reportagem da VEJA e contesta acusações de Vorcaro

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Em vídeo publicado nas redes sociais, ministro afirma que relato envolvendo filme sobre Lula é falso, questiona interesse eleitoral das acusações e contrapõe caso ao financiamento de produção sobre Jair Bolsonaro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nesta sexta-feira (9) às acusações publicadas pela revista VEJA envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e negociações relacionadas a fundos de pensão de estatais. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Padilha classificou as informações como mentirosas e afirmou que a narrativa teria objetivo eleitoral.

A reportagem da VEJA, assinada pelo jornalista Robson Bonin, afirma ter tido acesso a um áudio e documentos nos quais Vorcaro relata que teria negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos para conseguir acesso a recursos de fundos de pensão. Segundo a revista, o ex-banqueiro teria mencionado R$ 30 milhões em espécie para despesas relacionadas a um documentário sobre Lula e também teria citado integrantes do governo, entre eles Padilha. A publicação atribui as declarações a Vorcaro e relata que a proposta de colaboração apresentada por sua defesa não avançou.

No vídeo divulgado nesta sexta, Padilha contesta a versão e chama atenção para a ausência, segundo ele, de elementos que comprovem o suposto financiamento do filme sobre Lula.

“A quem interessa espalhar essa história, que já foi desmentida, de que o Vorcaro financiou um filme sobre o presidente Lula?”, questiona o ministro. Padilha cita informações segundo as quais não teria sido localizada, no material apreendido pela Polícia Federal, comprovação do suposto pagamento relacionado ao documentário.

Após a publicação da reportagem da VEJA, a Polícia Federal também se manifestou oficialmente. Em nota, a instituição informou que Daniel Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria” e que tampouco entregou à PF “anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”. A corporação acrescentou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do ex-banqueiro não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais.

A Procuradoria-Geral da República também esclareceu que as negociações de colaboração premiada envolvendo Vorcaro foram conduzidas por seus advogados e afirmou que não houve interlocução direta entre o ex-banqueiro e representantes da PGR. O órgão informou ainda que não houve depoimento oral de Vorcaro, uma vez que a proposta de colaboração foi rejeitada.

Padilha contrapõe versão sobre filmes de Lula e Bolsonaro

Em sua manifestação, Padilha também relaciona o episódio ao financiamento de Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro questiona a versão atribuída a Vorcaro segundo a qual o dinheiro destinado ao filme sobre Bolsonaro teria sido um patrocínio regular, enquanto os supostos recursos destinados à produção sobre Lula teriam sido repassados de forma irregular.

“A quem interessa dizer que, no caso do Lula, teria sido escondido e ilegal, mas, no caso do filme do Flávio Bolsonaro, foi patrocínio e tudo legal?”, questiona.

O ministro também recorda que Flávio Bolsonaro inicialmente negou que o filme sobre seu pai tivesse recebido dinheiro de Vorcaro e posteriormente sustentou que os recursos fizeram parte de uma operação regular de patrocínio.

Padilha sustenta ainda que a narrativa divulgada a partir das declarações atribuídas a Vorcaro teria como efeito colocar os dois episódios no mesmo patamar e, dessa forma, reduzir o impacto político das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro.

“Qual o interesse do Vorcaro em falar uma mentira que prejudica o Lula e beneficia o Flávio Bolsonaro?”, pergunta o ministro no vídeo.

Na avaliação apresentada por Padilha, o episódio precisa ser observado também no contexto da disputa presidencial. Ele argumenta que a disseminação da versão atribuída ao ex-banqueiro pode produzir no eleitorado a percepção de que “são todos iguais”, favorecendo a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Ao encerrar o vídeo, o ministro faz um apelo para que a gravação seja compartilhada e afirma: “A casa caiu”.

O que publicou a VEJA

Na reportagem publicada nesta sexta-feira, a VEJA afirma que Vorcaro teria relatado negociações envolvendo Vaccari, o Instituto Lula, integrantes do governo e operadores políticos para que o Banco Master tivesse acesso a investimentos de fundos de pensão ligados a estatais.

A revista também reproduz um áudio atribuído ao ex-banqueiro no qual ele diferencia os dois casos. Vorcaro afirma que o dinheiro relacionado ao filme sobre Lula teria sido entregue “por fora”, enquanto os valores destinados à produção sobre Jair Bolsonaro teriam ocorrido por meio de “patrocínio normal”.

A publicação informa ainda que Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro e que Padilha também negou envolvimento nas irregularidades descritas pelo ex-banqueiro.

A reportagem completa, com os áudios, documentos e a versão apresentada pela revista, pode ser consultada diretamente no site da VEJA.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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