26/03/2014 – 18h50
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, citou o programa brasileiro de combate à aids como um dos exemplos de sucesso da política de saúde brasileira. “Ele foi construído com esforços dos municípios, estados e dos movimentos sociais”, disse, lembrando que trabalhava em Santos na época da criação do serviço. Chioro também elogiou o tratamento de câncer, o Saúde da Família e a atenção básica, durante a abertura do “Fórum a Saúde do Brasil”, promovido pelo jornal “Folha de S. Paulo”, nesta quarta-feira (26), no Tucarena, em São Paulo.
O programa Mais Médicos, para o ministro, também é um sucesso. “Foi uma medida ousada da presidenta Dilma”, disse. Depois de expor sua lista de projetos bem-sucedidos, Chioro enumerou o que considera problemas e grandes desafios. “Claro que eles existem e a percepção de que a população está insatisfeita requer estratégias voltadas para ela.”
O ministro incluiu na sua lista de desafios o investimento na rede da atenção básica que, segundo ele, será consolidada com equipes que terão, além de médicos, dentistas, enfermeiros, entre outros profissionais para cuidar da saúde integral da comunidade. “Há 27 mil unidades de saúde (da atenção básica) em processo de construção e 5 mil já concluídas”, informou. “No prazo de dois a quatro anos, teremos uma rede totalmente qualificada.”
Chioro disse que as novas tecnologias e o planejamento da gestão do trabalho não substituem o profissional que trabalha com saúde e, por isso, é preciso continuar investindo na formação deles. Pediu atenção especial de todos os setores para o processo de envelhecimento da população. “Olhar para o Brasil do futuro é olhar para a saúde do idoso.” A violência no trânsito, com o registro de três mortes de motociclistas por dia, o uso abusivo de álcool e outras drogas, o financiamento da saúde, a modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) e a produção de remédios e insumos foram outros itens que entraram na lista de problemas e desafios do ministro. Elepediu desculpas por não aprofundá-los como gostaria por falta de tempo. “Cada um deles merece um seminário à parte.”
Saúde pública e privada
O evento também contou com uma roda de conversa na qual Mário Scheffer, diretor do Grupo Pela Vidda/SP e professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medina da USP, abordou a insatisfação da população para com o atendimento tanto na saúde pública quanto na privada. “Nas manifestações públicas do ano passado era possível localizar essa insatisfação era crescente”, frisou Scheffer. “Não temos um sistema universal acessível, como o Canadá, e os planos privados não são alternativa. Não se trata de ser a favor ou contra, temos inversões dos dois lados. Do lado público, bons exemplos como a assistência à aids e ao câncer. Do lado privado, planos de péssima qualidade, com exclusões absurdas com as quais o SUS acaba arcando.”
Mário Scheffer criticou que os planos se beneficiam dos recursos do SUS ao não ressarcir o sistema pelos serviços prestados, também pelo volume de renúncia fiscal, subsídios e outras destinações. Por fim, comentou a informação de que o governo gastou R$ 1 bilhão e meio com planos de saúde para seus funcionários. “Esse ano, os candidatos defenderão o SUS mas nenhum vai dizer que vai passar a ser atendido no sistema.”
Também participaram da mesa “O Sistema de Saúde Pública e Privado” Arlindo de Almeida (presidente da Abramge), Dirceu Barbano (diretor-presidente da Anvisa) e Eudes de Freitas Aquino (presidente da Unimed). Para Dirceu, hoje em dia não existe mais saúde pública e privada e, sim, dois sistemas que se complementam. “E isso significa mais uma oportunidade do que um problema”, disse, citando como exemplo o programa Farmácia Popular, em que as pessoas pegam seus remédios grátis nas drogarias comerciais.
O fórum segue amanhã (dia 27) no Tucarena com abertura do secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip.
Fátima Cardeal



