Ministério Público investiga médica por alegações falsas sobre vacina de HPV, destaca Folha de S.Paulo

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Outro lado: Maria Emilia Gadelha diz ser vítima de perseguição e que promotora ‘faz ativismo’

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O Ministério Público paulista abriu inquérito no último dia 17 contra a médica Maria Emilia Gadelha Serra por propagar informações falsas sobre a vacina contra HPV (papilomavírus humano).

O inquérito acompanha uma representação da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) contra Serra por veicular nas redes dela, sem apresentar evidências ou fonte das informações, que a imunização contra o HPV no Reino Unido provocou aumento da incidência de câncer de colo de útero em mulheres de 20 a 25 anos de idade, três anos após a vacinação.

Segundo a promotora do caso, Luciana Bergamo, da Promotoria da Infância e Juventude da Capital, a abertura da investigação leva em conta as prováveis consequências para a saúde das crianças e adolescentes da propagação de notícias falsas sobre vacinação. Não há dados, de acordo com o inquérito, que sustentem o conteúdo divulgado pela médica.

A Promotoria quer que a médica faça a retratação do conteúdo em suas redes sociais e apresente “os devidos esclarecimentos aos seus seguidores e a toda a sociedade para que se minimize a proliferação de fake news”.

Por telefone, Serra afirmou à reportagem ser vítima de perseguição e que a promotora “faz ativismo”. Segundo ela, haveria um conflito de interesse por Bergamo ser membro da Sociedade Paulista de Pediatria, afiliada à SBP, que fez a representação. “Não vou aceitar esse tipo de assédio. Solicitarei o afastamento da promotora.”

De acordo com a Promotoria, a participação de Bergamo em eventos promovidos por sociedades científicas é praticamente uma exigência para que a atuação do Ministério Público, “pautada pela observância da ordem jurídica, se dê de acordo com os parâmetros da ciência”.

A SBP, por sua vez, afirmou que as informações falsas propagadas pela médica têm como consequência causar medo nos pais, familiares e cidadãos. “As reações gravíssimas que a médica cita ocorrem pela doença, e não pela vacinação, uma vez que as vacinas já existem há mais de cem anos e sabemos que os efeitos colaterais são, em geral, leves, como dor, ou uma febre leve.”

O HPV é o vírus sexualmente transmissível mais frequente em toda a população. Estima-se que cerca de 80% da população sexualmente ativa já teve contato com o vírus. Ele pode causar verrugas genitais e anais, mas sua manifestação é, muitas vezes, assintomática.

A infecção por HPV pode levar ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como uterino, de boca, cabeça e pescoço. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece que mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero são provocados pelo vírus.

A vacina do HPV protege contra o câncer e é ofertada pelo Ministério da Saúde para todas as meninas e meninos de 9 a 14 anos de idade, além de pessoas de 9 a 45 anos vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos.

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